O Safra rebaixou o Banco do Brasil (BBAS3) para venda e cortou o preço-alvo de R$ 26 para R$ 19 por ação. Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) perderam a recomendação de compra e passaram a neutros.
A revisão pesa em quem tem ação de banco na carteira. O Safra projeta 2027 com crédito mais fraco, custo de crédito maior e provisões em alta, e cita a chance de recessão. Os analistas Daniel Vaz e Rafael Nobre também apontam os vencimentos de empréstimos a pequenas e médias empresas com garantia do governo como pressão adicional.
BB leva segundo rebaixamento para venda
O Citi já havia cortado o Banco do Brasil para venda, como lembrou o Seu Dinheiro. O Safra diz que as exigências de capital podem limitar os dividendos em 2027. No agronegócio, os pagamentos em dia ficaram em 75% em julho, sem melhora.
O banco teve prejuízo de R$ 8,2 bilhões antes dos impostos no primeiro semestre de 2026, segundo os cálculos do Safra. O patrimônio líquido tangível recuou de 52% para 42% em apenas um trimestre, conforme o Money Times. A casa vê "risco de queda em nossa estimativa de 10,3% para o CET1 no final de 2027".
O CET1 é o capital de melhor qualidade do banco, aquele que absorve perdas em momentos de crise.
Bradesco usa aumento de capital de R$ 10 bi como colchão
O Safra vê o risco do Bradesco no balanço e na dependência de programas voltados às PMEs, que podem perder apoio do governo. "A incerteza sobre o apoio orçamentário federal necessário para sustentar esses programas em larga escala", afirma o relatório.
O aumento de capital de R$ 10 bilhões, na avaliação dos analistas, deixa o banco mais preparado para um ambiente pior do que o de seis meses atrás.
No Itaú, o corte nas estimativas de lucro chega a cerca de 5% para os próximos dois anos. O banco tem patrimônio líquido tangível equivalente a 55% da carteira, mas despesas maiores com provisões podem consumir o ganho da disciplina de custos.
Nubank é a única recomendação de compra da cobertura
O preço-alvo do Nubank (ROXO34) caiu de US$ 19 para US$ 15, mas a recomendação segue de compra. O Safra vê carteira de crédito ao consumidor mais forte e inadimplência estável em cartões, e aponta o México como frente de crescimento além do crédito.
A aposta nos Estados Unidos pressiona as despesas operacionais antes de dar retorno. O Inter (INBR32) manteve recomendação neutra, com alvo cortado de US$ 7 para US$ 5.
O Safra diz dar "o benefício da dúvida" à administração do Nubank antes do Dia do Investidor, quando espera metas de lucratividade e de alocação de capital.