S&P corta nota da Cosan para B+ com Raízen menor e Rumo no radar
Holding amortizou R$ 9 bilhões em dívida desde dezembro e projeta alavancagem de até 3 vezes em 2026.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Downgrade: BB- para B+; perspectiva negativa
Reestruturação da Raízen envolve R$ 65 bi, 45% de conversão e aporte de R$ 3,5 bi da Shell
Cosan amortizou R$ 9 bi desde dez/2025 e projeta alavancagem de 2,5x a 3x em 2026
A S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Cosan (CSAN3) de BB- para B+ e manteve a perspectiva negativa. O corte de BB- para B+ na nota da Cosan saiu na quinta-feira (9) e atinge uma holding que já vinha perdendo o lastro da Raízen (RAIZ4).
A agência ligou o rebaixamento à perda de força do perfil de negócios da Cosan depois da reestruturação da dívida da Raízen, joint venture com a Shell. Nota menor tende a encarecer a dívida da holding, que ainda precisa rolar passivos e cobrir despesas financeiras com dividendos das controladas.
Raízen dilui fatia da Cosan com R$ 65 bi em dívida
A reestruturação da Raízen envolve cerca de R$ 65 bilhões em dívida, com conversão de 45% do passivo em ações e aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell. A Cosan não deve acompanhar o aumento de capital e verá sua participação encolher.
Desde março, a holding não reconhece os efeitos da Raízen nas demonstrações financeiras, após impairments zerarem o valor contábil do investimento. Em teleconferência em 15 de maio, o presidente Marcelo Martins disse que a fatia não deve ser expressiva após a reestruturação e que a joint venture deixará de ser um "investimento relevante".
Cosan avalia vender parte da Rumo
Sem a Raízen no centro, a Cosan passa a depender de Rumo (RAIL3), Compass (PASS3), Moove e Radar. No fim de junho, a companhia informou que avalia vender parte da fatia na Rumo, em fase inicial e sem decisão sobre uma eventual transação.
A venda ajudaria a holding a perseguir a meta de dívida líquida zero. A S&P alerta que novos desinvestimentos podem reduzir a diversificação do grupo e a geração de dividendos no longo prazo.
Alavancagem cai para até 3 vezes em 2026
Desde dezembro de 2025, a Cosan amortizou cerca de R$ 9 bilhões em dívida. A redução veio com apoio de um follow-on de R$ 10 bilhões e da oferta de ações da Compass, que levantou R$ 2,3 bilhões.
A S&P projeta:
alavancagem líquida consolidada de 2,5 a 3 vezes em 2026;
faixa de 2 a 2,5 vezes em 2027;
alavancagem de 3,4 vezes até março, nos 12 meses encerrados no mês.
A cobertura das despesas financeiras da holding por dividendos das controladas deve seguir abaixo de 1 vez nos próximos dois anos, caso não haja novas vendas de ativos.
Martins afirmou na mesma teleconferência que a holding deve ser dissolvida em um processo que pode começar em 2027, com os acionistas passando a receber participações diretas nas empresas investidas.