Em resumo
- Cerca de 25% da produção global de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, segundo a StoneX
- Petroleiros já evitam a rota e se acumulam dos dois lados do estreito
- Opep+ definirá tetos de produção para abril em meio ao conflito
Petroleiros começaram a evitar o Estreito de Ormuz neste sábado (28), depois dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. O corredor é a saída de parte relevante do petróleo do Golfo Pérsico e não tem rota alternativa de porte equivalente.
A paralisação do fluxo interessa a quem tem exposição à commodity, seja por fundos de petróleo, seja por ações de petrolíferas. O encarecimento do barril chega ao custo de combustíveis e à inflação de vários países, inclusive grandes produtores de energia, segundo o Times Brasil.
Navios se acumulam dos dois lados do estreito
Arábia Saudita, Emirados Árabes, Irã, Kuwait e Iraque exportam pelo corredor, cerca de 25% da produção global na conta da StoneX. A Agência Brasil, citada pelo Times Brasil, aponta 3,3 milhões de barris por dia, perto de 20% do petróleo comercializado no mundo. Dados de rastreamento compilados pela Bloomberg mostram que navios se acumulam nas duas entradas da passagem.
Bruno Cordeiro, especialista da StoneX ouvido pelo InfoMoney, diz que a interrupção levaria a “um aperto significativo do balanço global, principalmente na Ásia e na Europa”.
Barril pode passar de US$ 80
Estimativas da Reuters indicam que o preço do barril poderia superar os US$ 80 se o estreito for comprometido. O IBP vê risco de um novo patamar para a commodity, e Roberto Ardenghy afirma que o conflito pode colocar o Brasil em evidência como fornecedor seguro.
Cordeiro também cita a destituição do regime iraniano como fator de suporte aos futuros do petróleo. Do outro lado, o mercado pode cortar prêmios de risco se entender que o conflito não se estende, como em junho do ano passado, quando os EUA retiraram parte dos ativos militares da região após atacar bases de enriquecimento de urânio.
Opep+ decide tetos de abril sob incerteza
O próximo fato da agenda de oferta é a reunião da Opep+ definirá os tetos de abril, com o grupo ainda sem data confirmada para o encontro. Para Cordeiro, há “grandes incertezas” sobre o que os membros decidirão, já que vários foram impactados pelo conflito, e sobre a própria realização da reunião.
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