Em resumo
- Dólar subiu e ações brasileiras caíram no dia seguinte à reeleição de Lula
- EUA representam mais de 30% do investimento direto estrangeiro no Brasil, segundo analista
- Eleição de meio de mandato nos EUA ocorre em 3 de novembro; democratas têm 59% de chance de retomar a Câmara, segundo Decision Desk HQ
A reeleição de Lula deixou a relação com os Estados Unidos dependente da posição de Donald Trump, que segue sem se manifestar sobre o resultado. Antes da apuração, o presidente americano havia respondido que estava "observando".
As ações brasileiras caíram e o dólar comercial (USDBRL) subiu no dia seguinte à votação. Para Rodolfo Olivo, professor da FIA Business School, o movimento vem sobretudo da percepção fiscal, não de Washington. Igor Lucena, economista e doutor em relações internacionais, inclui a postura de Trump entre os fatores que podem agravar o quadro. Os dois falaram ao Times Brasil.
Silêncio de Trump mantém risco de sanção
Lucena diz que uma declaração negativa de Trump, sem reconhecer a vitória de Lula, aumentaria o risco para a atração de investimentos. O economista vê espaço para sanções comerciais caso o americano considere a eleição injusta, de forma ampla ou em setores específicos. Ele não vê risco concreto de novas tarifas neste momento.
Olivo afirma que as primeiras reações de autoridades americanas vieram da ala ideológica do governo e têm caráter individual. Donald Trump Jr. questionou o resultado, e Flávio Bolsonaro contesta a vitória.
Americanos são 30% do investimento estrangeiro
Os Estados Unidos respondem por mais de 30% do investimento direto estrangeiro no Brasil, segundo estimativa citada por Lucena. Sem reconhecimento do resultado, investidores estrangeiros poderiam exigir juros mais altos para financiar o país.
Olivo espera que, numa eventual tarifa, Trump poupe o agronegócio e a Embraer (EMBJ3), que já passou por negociação prévia. O governo Lula, lembra ele, não retaliou de imediato na primeira tarifa e tentou negociar por setor.
Democratas com 59% de chance de retomar a Câmara
A eleição de meio de mandato, em 3 de novembro, pode reduzir o risco de tarifas, na avaliação de Olivo. Se Trump perder a maioria na Câmara ou no Senado, perde força para uma nova rodada. Segundo o Decision Desk HQ, os democratas têm cerca de 59% de chance de retomar a Câmara, e os republicanos são favoritos no Senado.
Olivo prevê dólar mais alto e bolsa em queda por motivos internos, ligados à falta de sinal de ajuste fiscal. Ele diz que as falas de Lula minimizando a questão fiscal são de campanha, mas formam uma sinalização ruim.
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