O dólar subiu 8,63% e o Ibovespa caiu 13,88% na primeira sessão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado, em 26 de outubro, contrariou a chance de 75% que o JPMorgan (JPMC34) atribuía a uma vitória de Flávio Bolsonaro.
A correção levou bancos a rever recomendações para ações, títulos e câmbio do Brasil. O Citi encerrou a aposta comprada no real e retirou o overweight do mercado acionário; a BCA Research cortou ações, títulos locais e crédito soberano para underweight. O Citi cita tombo de mais de 11% do real no dia, número distinto da alta de 8,63% do dólar no fechamento apurada pela Bloomberg Línea.
JPMorgan corta dívida soberana e vê múltiplo menor
O JPMorgan rebaixou a dívida soberana para underweight e passou moedas e taxas locais de overweight para neutro. O banco vê o múltiplo da Bolsa recuar de 9,7 para 8,3 vezes os lucros projetados, com pressão maior sobre consumo, small caps e empresas endividadas.
O UBS calcula dívida acima de 80% do PIB e déficit perto de 10%. Para o banco, o juro real do título indexado à inflação sobe de 6,74% para pelo menos 7,10%, e a queda da Selic fica mais lenta se o ajuste fiscal atrasar.
Exportadoras viram o refúgio das carteiras
O Morgan Stanley reduziu a exposição a ações brasileiras de overweight para equal-weight, sem chegar a underweight. Aumentou Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3) e JBS (JBSS32) e recolocou Suzano (SUZB3) na carteira modelo, empresas com receita em dólar.
O Bradesco BBI tirou sete papéis ligados a juros e consumo doméstico, entre eles Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras (PETR4) e Cyrela (CYRE3). Entraram Sabesp (SBSP3), WEG (WEGE3), BB Seguridade (BBSE3) e Cury (CURY3).
Para o UBS, a volta da confiança exige um pacote com medidas quantificadas e compensação dos R$ 300 bilhões em gastos de campanha, com aprovação no Congresso antes do fim do ano.