Credores da Raízen ficam com 80% da nova empresa após aval judicial a R$ 61,4 bi
Adesão ao plano chegou a 81,6% dos créditos financeiros, acima dos 75,45% registrados no protocolo, e nenhum credor contestou a proposta.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 5 veículos. Como fazemos
Em resumo
81,6% dos credores financeiros quirografários aderiram ao plano, que não teve contestação
Dívida total do grupo supera R$ 60 bilhões; proposta inicial previa troca de R$ 29,4 bilhões por ações
Shell, acionista controladora, fará aporte de no mínimo R$ 3,5 bilhões
A Justiça de São Paulo homologou nesta quinta-feira (30) o plano de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4), que reestrutura R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras. A sentença é da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central do Foro de São Paulo.
Com a decisão, as condições aprovadas vinculam todos os credores financeiros sujeitos ao plano, inclusive os que não aderiram, segundo o InfoMoney. A companhia alcançou 81,6% de adesão dos créditos, acima dos 75,45% que tinha no protocolo. Nenhum credor do grupo contestou o plano, de acordo com a InvestNews.
O passivo total do grupo chega a R$ 98,6 bilhões, dos quais R$ 33,49 bilhões são dívidas entre empresas da própria Raízen, conforme a NeoFeed.
Opção A dá 80% da nova empresa aos credores
Para o acionista, a conta é de diluição. Na Opção A, 45% da dívida vira participação por meio de units e os credores ficam com 80% da nova companhia, enquanto os 55% restantes são trocados por títulos de dívida com prazos mais longos. A Opção B dá desconto de 80% no crédito e deixa o pagamento dos 20% restantes para 2047, segundo o Seu Dinheiro.
Shell aporta R$ 3,5 bilhões na data de fechamento
O plano prevê aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, integralizado em dinheiro na data de fechamento da operação, conforme a NeoFeed. O valor equivale à conversão de 45% da dívida em ações.
A Aguassanta Participações, da família Ometto, controladora da Cosan (CSAN3), pode entrar com mais R$ 500 milhões. O aumento de capital total fica entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, segundo o Times Brasil.
Caarapó foi vendida por R$ 760 milhões
A Raízen também vai separar os negócios de distribuição de combustíveis e de energia e seguir com desinvestimentos. Fechou a venda da Usina Caarapó por R$ 760 milhões para a Adecoagro Vale do Ivinhema, negócio anunciado em 20 de julho. Em junho, vendeu os ativos na Argentina ao grupo Mercuria por US$ 1,42 bilhão.
As ações fecharam a R$ 0,26, com queda de 68% em 2026. A empresa vale R$ 2,68 bilhões na bolsa.
A Raízen ainda vai divulgar os documentos com as regras para cada credor escolher entre as opções de pagamento. A homologação ainda pode ser questionada por recurso, segundo o Seu Dinheiro.