Em resumo
- Dívida total de cerca de R$ 65 bilhões na recuperação extrajudicial.
- Conversão de ~45% da dívida em ações daria quase 80% da Raízen aos credores.
- Shell propõe injeção de R$ 3,5 bi; aporte de Ometto de R$ 500 mi está em dúvida.
A Raízen (RAIZ4) negocia converter 45% da dívida em ações e deixar credores com quase 80% da companhia. A negociação está na fase decisiva da recuperação extrajudicial, que envolve cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.
Para quem tem RAIZ4 na carteira, a troca de dívida por papel corta o passivo mas dilui os atuais donos. A ação virou penny stock e a companhia foi excluída do Ibovespa depois do pedido de recuperação extrajudicial. Cosan (CSAN3) e Shell, sócias na Raízen, passariam a dividir o controle com os credores.
No terceiro trimestre da safra 2025/2026, as contas da Raízen pioraram:
- Prejuízo de R$ 15,65 bilhões.
- Dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, contra R$ 38,6 bilhões um ano antes.
- Alavancagem de 5,3 vezes, medida por dívida líquida sobre Ebitda, ante 3 vezes.
Shell aporta R$ 3,5 bi e Ometto mantém R$ 500 mi
O desenho em discussão inclui uma injeção de R$ 3,5 bilhões da Shell. Com os R$ 500 milhões previstos por Rubens Ometto, a capitalização chegaria a R$ 4 bilhões. Parte dos credores trabalha com a possibilidade de o empresário ficar fora do aumento de capital, segundo o Broadcast.
Ometto disse ao InvestNews que mantém a proposta de investimento mesmo se deixar a presidência do conselho. Procurada, a Raízen não comentou.
O plano prevê ainda dividir a Raízen em duas empresas, uma de etanol e outra de distribuição de combustíveis. Também estão em discussão um novo conselho de administração no primeiro trimestre de 2027 e a criação de um diretor de reestruturação, o CRO.
Credores rejeitaram o plano em abril e pediram até 90%
Em abril, credores rejeitaram uma proposta inicial com os mesmos 45% de conversão. Grupos de bondholders apresentaram contrapropostas que elevariam sua fatia para até 90% e defenderam capitalização de R$ 8 bilhões. Um grupo com cerca de R$ 14 bilhões em títulos contratou a consultoria Journey Capital e o escritório Felsberg Advogados.
Prazo de 90 dias termina no início de junho
A Raízen protocolou o pedido de recuperação extrajudicial em 11 de março. O modelo permite renegociar dívidas diretamente com os credores, sem que todo o processo fique sob condução da Justiça. A companhia quer fechar o acordo e levar o plano para homologação no início de junho, quando vence o prazo de proteção de 90 dias previsto na legislação.
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