Em resumo
- Queda mensal de 0,8% em setembro, contra expectativa de -0,2%
- Recuo de 2,5% na comparação com setembro do ano anterior
- Derivados de petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e alimentos (-1,7%) puxaram o resultado para baixo; extrativas subiram 1,7%
A produção industrial brasileira teve queda de 0,8% em setembro na comparação com agosto, informou o IBGE nesta quinta-feira. O resultado ficou abaixo do esperado por economistas consultados pela Reuters, que previam recuo de 0,2%.
Na comparação com setembro do ano passado, a produção encolheu 2,5%, contra expectativa de queda de 1,7%. O setor sente o crédito caro: o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano na véspera, e juros mais altos adiam investimentos das empresas e compras de maior valor das famílias.
As duas fontes divergem sobre a sequência de quedas. O Money Times aponta o segundo mês seguido de retração, com julho como único mês sem recuo; o InfoMoney fala em quinta queda mensal consecutiva. O InfoMoney cita ainda consenso da Bloomberg de recuo de 0,4%, mais pessimista que o da Reuters.
Transformação encolhe 1,3% e 17 atividades caem
A indústria de transformação recuou 1,3% no mês e 3,8% na comparação anual. Das 25 atividades pesquisadas pelo IBGE, 17 caíram, segundo o InfoMoney.
Trimestre tem pior recuo desde 2021
Frente ao segundo trimestre, a produção industrial caiu 2,2%, o pior recuo trimestral desde 2021. O índice ajustado sazonalmente está 4,1% abaixo do pico de abril e voltou ao nível de maio de 2024.
Sem petróleo, tombo seria de 1,4%
André Valério, economista sênior do Banco Inter (INBR32), calcula que a produção teria caído 1,4% sem as indústrias extrativa e de derivados de petróleo. As extrativas avançaram 1,7% e interromperam quatro meses de perdas.
"A indústria já estaria em recessão se não fosse a indústria extrativa e de derivados de petróleo", diz Valério. Os bens de capital caíram 1,9% no mês e 4,9% em 12 meses, movimento ligado à Formação Bruta de Capital Fixo.
XP vê PIB do 3º tri em -0,2%
A XP (XPBR31) projeta queda de 0,2% no PIB do terceiro trimestre ante o segundo, com alta de 1,3% na base anual. O C6 Bank estima crescimento de 1,5% para 2026, amparado pelo mercado de trabalho aquecido.
Para o quarto trimestre, a indústria carrega herança estatística de -0,8%, segundo o InfoMoney.
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