Oncoclínicas fecha memorando com Porto para aporte de até R$ 1 bilhão
Conselho aprovou o termo por maioria, com dois votos contrários, e a CFO Camille Loyo Faria renunciou no domingo.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 5 veículos. Como fazemos
Em resumo
MOU prevê aporte de cerca de R$ 1 bilhão em subsidiária com cerca de 200 clínicas
R$ 500 milhões em equity dariam 33% do capital total e 66% dos votos à Porto Saúde
Fitch cortou rating para C(bra); caixa estimado abaixo de R$ 100 milhões no fim de 2025
Oncoclínicas (ONCO3) e Porto Seguro (PSSA3) assinaram na sexta-feira (13) memorando para um aporte de até R$ 1 bilhão nas clínicas oncológicas. O acordo prevê separar essas clínicas em uma nova empresa, que receberia o capital da Porto Saúde.
A operação é a tentativa mais concreta de reforçar o caixa da Oncoclínicas, que negocia com credores o reperfilamento de R$ 4 bilhões em dívidas. O passivo equivalia a 4,2 vezes o Ebitda no fim do terceiro trimestre, segundo o InvestNews. A Fitch cortou a nota da companhia para C(bra), o segundo rebaixamento no mês. A agência projeta:
caixa abaixo de R$ 100 milhões no fim de 2025;
alavancagem perto de 6 vezes o Ebitda;
vencimentos de R$ 745 milhões em 2026 e R$ 810 milhões em 2027.
Porto assume o controle votante com R$ 500 milhões
A Porto entra com R$ 500 milhões em ações e fica com o controle do capital votante da nova empresa. O fato relevante fala em no mínimo 30% do capital total. O Seu Dinheiro, citando o Brazil Journal, apontou 33% do capital total e 66% das ações com voto.
Outros R$ 500 milhões viriam de debêntures conversíveis em 48 meses, remuneradas a 110% do CDI. A nova empresa fica com as clínicas: 150 unidades, segundo o InvestNews, ou cerca de 200, conforme o Seu Dinheiro. Hospitais e a unidade na Arábia Saudita seguem com a Oncoclínicas.
Conselho rachou e o CFO renunciou no domingo
Segundo o Times Brasil, os conselheiros Marcos Grodzky e Raul Rosenthal Ladeira de Matos votaram contra a assinatura do termo. No domingo (15), Camille Loyo Faria deixou o cargo de CFO e Marcel Cecchi Vieira assumiu como diretor financeiro. Ele é sócio da Latache, segunda maior acionista, com mais de 14% do capital.
O fato relevante afirma que parte do endividamento seria transferida à nova empresa, sem informar o valor. Segundo apuração do InvestNews, a Oncoclínicas listada na B3 deve ficar com um pedaço relevante do passivo.
ONCO3 sobe 10% e a exclusividade dura 30 dias
ONCO3 abriu a segunda-feira em alta de 10,27%, a R$ 2,04, mas acumula queda de quase 25% em 2026. A Porto operava perto da estabilidade, a R$ 49,37, e sobe 2% no ano. A seguradora paga cerca de R$ 500 milhões por ano à rede de oncologia, sua principal parceira. A alternativa seria a Rede D'Or (RDOR3), de custo mais alto, segundo uma fonte ouvida pelo InvestNews.
O negócio depende de due diligence, aprovações regulatórias e da renegociação da dívida com credores. O memorando dá 30 dias de exclusividade à Porto, contados de 13 de março.