Porto vê custo oncológico zerado só no 2º tri de 2027 após ruptura com Oncoclínicas
Sinistralidade maior no 3º trimestre também refletiu a liberação de cirurgias eletivas, segundo o presidente da Porto Saúde, Sami Foguel.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Porto Saúde afirma que custos oncológicos começaram a voltar à média em outubro, com efeito residual até o início de 2027.
Carteira de seguro auto cresceu 7% até setembro, com participação de 27% no segmento.
Oncoclínicas nega colapso e diz que houve instabilidade no fornecimento de medicamentos.
A Porto Saúde culpou o colapso da Oncoclínicas (ONCO3) pela alta da sinistralidade no terceiro trimestre, que afetou o lucro do grupo Porto (PSSA3). A troca de parceiros elevou o custo com atendimento oncológico, disse a administração em teleconferência, segundo o Valor Econômico.
Sinistralidade é a fatia da receita de prêmios que a operadora gasta em atendimento. Quando ela sobe, sobra menos para o lucro, e o efeito chega ao resultado do grupo, que reúne saúde e seguro auto.
Efeito oncológico só zera no 2º tri de 2027
O presidente da Porto Saúde, Sami Foguel, disse que a ruptura da Oncoclínicas foi repentina e aguda. "De repente, a gente tinha milhares de pacientes, de fato, sem assistência", afirmou. O foco passou a ser manter o tratamento em outros parceiros, o que encareceu o atendimento.
A companhia também atribuiu o aumento da sinistralidade à liberação de cirurgias eletivas. Julho costuma ter sazonalidade menor, mas o volume de procedimentos eletivos foi bem maior, segundo Foguel.
A expectativa é que os custos tenham começado a voltar à média em outubro, com efeitos ainda à frente:
4º trimestre de 2026: ainda há pressão
1º trimestre de 2027: pressão menor, mas presente
2º trimestre de 2027: efeito oncológico zerado
Oncoclínicas nega colapso e atribui remanejamento à operadora
A Oncoclínicas divulgou nota no fim da tarde negando colapso na operação. A empresa afirmou que enfrentou instabilidade no fornecimento de medicamentos, com impacto no atendimento, e que adotou medidas com a Porto, como a compra de remédios orais e subcutâneos pela operadora via distribuidora Oncoprod e fóruns diários de alinhamento entre as equipes clínicas.
O redirecionamento de parte dos beneficiários para outros prestadores foi decisão da operadora, segundo a nota.
Auto: 7% de crescimento e 27% do mercado
O diretor financeiro Celso Damadi disse que o grupo não vê espaço para desconto relevante no seguro de automóveis, mesmo com a melhora dos indicadores de sinistralidade. Ele citou a expectativa de inflação de peças e de mão de obra em 2027.
A presidente da Porto Seguro, Patricia Chacon, afirmou que o mercado está mais pressionado: a sinistralidade do setor subiu 2,5 pontos percentuais ano contra ano, sem contar a Porto, por causa de uma guerra de preços no ano passado e de eventos climáticos.
A carteira de auto cresceu 7% até setembro ante o mesmo período de 2025. O mercado avançou cerca de 6%, e a Porto manteve participação de 27% no segmento.
Chacon disse que a maior venda de veículos chineses sustenta o mercado, porque o seguro é mais comum entre carros zero do que na frota total. Ela citou os números da Fenabrave divulgados no mesmo dia, que mostraram emplacamento forte em outubro.