Em resumo
- Dívida externa bruta: US$ 407,1 bi; reservas: US$ 402 bi
- Dívida externa líquida positiva em US$ 5,1 bi no balanço de junho
- Déficit em conta corrente de US$ 67,4 bi em 2025; IDE superou em US$ 17,6 bi
A dívida externa brasileira chegou a US$ 407,1 bilhões, acima das reservas de US$ 402 bilhões, e o país deixou de ser credor externo líquido. A dívida líquida ficou positiva em US$ 5,1 bilhões no balanço de junho, depois de ficar negativa por 19 anos.
O estoque bruto é o maior em 40 anos de estatísticas do Banco Central, segundo o Times Brasil, e reúne setor público, bancos e empresas. Para quem acompanha risco soberano, o dado tira do governo o argumento de "país credor líquido", usado havia quase duas décadas com agências de rating e investidores estrangeiros. As reservas ainda cobrem mais de três vezes os vencimentos de curto prazo, e a dívida líquida equivale a menos de 0,3% do PIB.
Dívida sobe 27,4% e reservas, 15,8%
A dívida externa avançou 27,4% no governo Lula, contra alta de 15,8% das reservas, ritmo contido por intervenções do BC e pela valorização cambial. Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, diz que o país deveria aproveitar períodos de entrada forte de investimento e câmbio estável para recompor reservas: "Comprar na calma é mais barato".
O déficit em transações correntes mais que dobrou em dois anos, para US$ 67,4 bilhões em 2025. Em 2023, havia ficado em US$ 27 bilhões.
O investimento estrangeiro direto ainda financia essa conta sem consumir reservas, mas com folga menor. A diferença caiu para US$ 17,6 bilhões em 2025, menos da metade da registrada dois anos antes.
Santander não vê risco imediato
Felipe Kotinda, economista do Santander (BCSA34), não vê motivo de preocupação agora, porque as reservas seguem entre os principais amortecedores da economia. "Em termos históricos, o País continua muito distante dos níveis de vulnerabilidade observados há duas décadas", afirma.
Fitch e Moody's mantêm avaliação positiva das contas externas e apontam o fiscal como risco principal. A Moody's coloca o Brasil um degrau abaixo do grau de investimento; Fitch e S&P, dois degraus, todas com perspectiva estável.
73% do estoque está no setor privado
Bancos e empresas respondem por 73% da dívida externa, o que reduz o risco soberano direto, porque costumam ter receita em moeda estrangeira. A dívida pública emitida em dólar soma R$ 348 bilhões, menos de 4% da dívida pública federal.
O Tesouro classifica a cobertura como "bastante confortável" e quer elevar a fatia em moeda estrangeira para 7%, hoje abaixo de 4%. O órgão planeja novas emissões no mercado europeu para consolidar os títulos de referência em dólar.
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