Em resumo
- Moody's não vê trajetória clara de estabilização da dívida pública no horizonte previsível
- Mais de 90% do orçamento federal é predeterminado por exigências legais
- Reeleição de Lula tenderia a manter o arcabouço fiscal; Flávio Bolsonaro sinaliza cortes de despesa, com implementação indefinida
A Moody's avalia que o próximo presidente do Brasil vai herdar uma posição fiscal mais fraca, com dívida sem trajetória de estabilização. A agência comparou os cenários de Lula e de Flávio Bolsonaro no segundo turno e viu riscos para o crédito do país e das empresas.
Quem tem dinheiro em títulos públicos ou em ações precisa acompanhar o que o novo governo fará com as contas. O Brasil tem um dos maiores níveis de endividamento soberano entre as principais economias da América Latina, e um plano de consolidação fiscal de médio prazo ajudaria a restaurar a credibilidade do governo, segundo a agência.
Dívida não para de crescer em relação à economia
Sem mudanças, a dívida pública não tem previsão de parar de crescer em relação ao tamanho da economia. A Moody's vê a disputa apertada, o que mexe com a confiança dos investidores e com o perfil de crédito de vários setores.
Lula mantém arcabouço; Flávio Bolsonaro corta despesa
Numa reeleição de Lula, a agência espera a manutenção do arcabouço fiscal, com busca de resultado por crescimento, medidas de receita e eficiência do gasto. Sob Flávio Bolsonaro, a Moody's vê maior probabilidade de cortes significativos de despesas e de esforço para reduzir a dívida. A ressalva é que os detalhes de implementação são indefinidos e o consenso no Congresso pode travar as mudanças.
O espaço de manobra, de todo modo, é pequeno: mais de 90% do orçamento federal é predeterminado por exigências legais. Reformas relevantes dependeriam do Legislativo.
Empresas com dívida flutuante ficam mais expostas
A fragilidade financeira das empresas brasileiras amplia o risco de crédito num ambiente de financiamento mais caro. Companhias com grau de investimento, exportadoras e de infraestrutura regulada tendem a seguir com acesso ao mercado. As mais pressionadas são as que carregam grande parte da dívida a taxas flutuantes, que sobem junto com os juros, e têm fluxo de caixa livre negativo.
Nos bancos, juros altos, custo do crédito maior e atividade mais fraca devem pressionar a qualidade dos ativos e a rentabilidade. A Moody's também aponta risco para estatais e setores regulados conforme o papel do Estado na economia definido pelo próximo governo. Bancos públicos devem sustentar o crescimento das concessões com programas de crédito, mas uma troca de governo poderia reduzir a disposição de emprestar.
A definição sai no segundo turno, em 25 de outubro.
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