Falência decreta 77% das empresas que concluem recuperação judicial no Brasil
Levantamento da RGF-BizDoc aponta que o estoque de empresas em recuperação ativa atingiu 6.341 no primeiro semestre, alta de 6,2% sobre o fim de 2025.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
6.341 empresas em recuperação judicial ativa no 1º semestre de 2026; +6,2% vs. fim de 2025
77% dos processos encerrados terminam em falência; taxa estável há duas décadas
Agro teve 1.263 CNPJs em recuperação no 1º semestre, +66% em 12 meses
Três de cada quatro empresas que chegam ao fim de uma recuperação judicial no Brasil têm a falência decretada pela Justiça. Levantamento da consultoria RGF-BizDoc, feito a pedido da Bloomberg Línea, mostra que 77% têm a falência decretada e só 23% voltam a operar por conta própria.
Para quem tem ação ou título de uma companhia endividada, o processo se arrasta por quatro anos e meio em média e, na maioria dos casos, termina em falência. O estoque de empresas em recuperação judicial ativa chegou a , alta de 6,2% sobre o fim de 2025. Em três anos, o contingente cresceu 66%.
6.341 empresas no primeiro semestre
Microempresas crescem 133% e lideram os pedidos
O perfil de quem recorre ao instrumento mudou. Entre o primeiro trimestre de 2023 e o segundo de 2026, o número de microempresas em recuperação judicial cresceu 133% desde 2023. Elas chegam ao processo com menos caixa para atravessar anos de tramitação e sem estrutura para contratar advogados, consultorias e administradores judiciais.
A proporção entre recuperadas e falidas se mantém estável há duas décadas, segundo a RGF-BizDoc.
Agro soma 1.263 CNPJs e pressiona o Banco do Brasil
O agronegócio fechou o primeiro semestre com 1.263 CNPJs em recuperação judicial, alta de 66% em 12 meses. No segundo trimestre, o setor respondeu por uma em cada três novas entradas. O Banco do Brasil (BBAS3), dono de uma das maiores carteiras rurais do sistema financeiro, da ordem de R$ 300 bilhões, sente o efeito nos resultados há dois anos.
Na direção oposta, a saúde recuou de 128 para 123 empresas no trimestre. A queda de 3,9% não elimina a pressão: a Oncoclínicas (ONCO3) entrou em recuperação extrajudicial, a Hapvida (HAPV3) perde clientes e a Alliança Saúde (AALR3) busca proteção judicial.
Planos aprovados em juízo são contratos longos, montados sobre projeções de receita e de custo do dinheiro feitas antes de os juros ficarem altos por tanto tempo. A inadimplência das pessoas jurídicas subiu para 4,2% em julho, ante 4% em junho, segundo o Banco Central. A taxa média de juros do crédito para empresas está em 25,4% ao ano.
Raízen, GPA e Oncoclínicas levam R$ 75 bi à via extrajudicial
"As empresas que se preparam para a recuperação, judicializada ou não, tendem a ser mais bem-sucedidas", disse Cláudio Damasceno, sócio sênior da RGF-BizDoc. Raízen (RAIZ4), GPA (PCAR3) e Oncoclínicas (ONCO3) usaram a recuperação extrajudicial, fechada direto com credores e homologada em juízo, para reorganizar perto de R$ 75 bilhões em dívidas.
A Americanas (AMER3) entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023. Mesmo perto de encerrar o processo, a varejista segue sem cobertura de analistas, o que encarece o capital de giro.
A 1ª Câmara de Direito Privado do TJ-RJ rejeitou recursos de Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) e restabeleceu a falência da Oi, decidida em primeira instância em novembro do ano passado. A dívida da operadora soma R$ 35,3 bilhões.