Inadimplência de cartões do BB dobra para 14,6% e ação cai 4%
JPMorgan calcula que a inadimplência de cartões do sistema financeiro teria caído no trimestre se a carteira do Banco do Brasil fosse excluída.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Inadimplência de cartões do BB subiu de 7,1% para 14,6% em três meses, alta de cerca de 750 pontos-base
Cerca de R$ 100 bilhões da carteira rural podem entrar na MP 1.376, com renegociações estimadas em R$ 30 bilhões
Cada R$ 1 bilhão renegociado pode gerar impacto positivo de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões no resultado
A inadimplência de cartões do Banco do Brasil (BBAS3) acima de 90 dias praticamente dobrou em três meses, para 14,6%. As ações caíram mais de 4% na quinta-feira, após a divulgação do balanço do segundo trimestre.
Para quem tem a ação, a qualidade do crédito virou o principal risco da tese. O JPMorgan (JPMC34) mediu o tamanho do problema: excluindo o BB, a inadimplência de cartões do sistema financeiro cairia de 9,3% para 9,1% no trimestre.
Na carteira do banco, o indicador saltou de 7,1% para 14,6%. São cerca de 750 pontos-base em um trimestre, alta que surpreendeu até analistas que já esperavam pressão no crédito da instituição.
Banco culpa agro e fim de parcelamento sem entrada
A administração atribuiu o salto a dois fatores, explicados na teleconferência. Parte dos produtores rurais com dificuldades em operações agrícolas também atrasou o pagamento dos cartões.
O segundo foi o fim de uma funcionalidade de parcelamento automático para clientes de menor renda, que permitia refinanciamento sem entrada. O banco voltou a exigir pagamento inicial e afirmou ver sinais de normalização em julho.
Em junho, a matriz de resiliência, que aperta critérios de concessão de crédito, cobria cerca de 31% das originações de pessoa física, com meta de 57% até dezembro.
MP do agro pode destravar R$ 30 bi em renegociações
A Medida Provisória 1.376 abre a renegociação de dívidas do agronegócio. Cerca de R$ 100 bilhões da carteira rural do BB poderiam se enquadrar nas regras, e o banco espera renegociar em torno de R$ 30 bilhões.
Cada R$ 1 bilhão renegociado deve somar de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões ao resultado, pela retomada da apropriação de juros e pela queda do custo de crédito. A maior parte desse efeito aparece só no quarto trimestre.
Goldman corta preço-alvo para R$ 17,50
O BB manteve as projeções para 2026, mas indicou que deve entregar lucro perto do piso da faixa e provisões perto do teto do guidance, segundo o Goldman Sachs. Em cenário mais adverso, admitiu desvio negativo extra de 5% a 6%.
O Goldman cortou as estimativas de lucro recorrente em 9% para 2026 e em 8% para 2027, manteve recomendação de venda e reduziu o preço-alvo de R$ 19 para R$ 17,50.
A temporada de balanços do segundo trimestre chega ao fim sem animar gestores. "Olhando para os bancos, não nos anima muito", afirmou Guto Leite, gestor de renda variável da Franklin Templeton, sobre o discurso das companhias para o restante do ano.