Oncoclínicas recebe proposta de R$ 500 milhões com exigência de mais de 50% dos votos
Aporte seria feito em debêntures conversíveis com prioridade sobre outras dívidas, modelo DIP que ainda precisa ser negociado com credores.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Aporte de R$ 500 milhões seria em debêntures, com exigência de controle pela IG4
Passivo da Oncoclínicas estimado em R$ 5,1 bilhões na recuperação extrajudicial
Cerca de 37% dos créditos já aderiram ao plano; quatro acionistas somam 40,86%
A IG4 Capital condicionou um aporte de R$ 500 milhões na Oncoclínicas (ONCO3) ao controle da rede de tratamento de câncer. A gestora quer mais de 50% dos direitos de voto da companhia.
A Oncoclínicas está em recuperação extrajudicial com dívida de R$ 5,1 bilhões e precisa de dinheiro novo para tocar a operação. O aporte viria em debêntures conversíveis em ações, que dariam à IG4 participação no capital se a reestruturação avançar. A companhia confirmou o aporte na sexta-feira (17), mas não informou mudança na gestão.
Acionistas cedem o voto e mantêm os dividendos
Pela proposta, os acionistas passariam ao IG4 o direito de exercer o voto e manteriam a titularidade econômica das ações, incluindo o recebimento de dividendos. Quatro grandes acionistas somam 40,86% do capital, segundo o Times Brasil: a gestora Latache, o BRB (BSLI3) e os fundos Josephina 2 e Josephina 3, ligados ao Goldman Sachs e à Centaurus. Mesmo com o aval deles, o controle não está garantido.
A reportagem aponta que a gestora também quer nomear diretores e executivos no conselho como contrapartida ao aporte.
Proposta exige 60 dias de exclusividade
A oferta não é vinculante. Só se tornaria se o conselho da Oncoclínicas concedesse ao IG4 60 dias de exclusividade para uma diligência detalhada, segundo o InvestNews. O valor dos títulos pode mudar depois dessa análise.
As debêntures teriam prioridade sobre outras dívidas, no modelo do financiamento conhecido como DIP, o que precisa ser negociado com os credores dentro da recuperação extrajudicial.
IG4 já negocia Braskem e Raízen
A gestora também participa da recuperação da Braskem (BRKM5) e busca entrar na renegociação da dívida da Raízen (RAIZ4), empresas com endividamento combinado de R$ 127 bilhões. A IG4 fundou a Opy Health e vendeu a participação a um fundo do BTG Pactual (BPAC11) em agosto de 2023.
O pedido de recuperação extrajudicial foi protocolado em 14 de julho. A companhia informou adesão de cerca de 37% dos créditos abrangidos, índice que considera suficiente para o ajuizamento.