Hapvida cai mais de 90% desde o IPO e tem o pior desempenho da bolsa
Ebitda da operadora ficou 17% abaixo do esperado no trimestre encerrado em junho, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Ações caem mais de 90% desde o IPO de 2018, com perdas anuais entre 12% e 56% nos últimos cinco anos
Dívida de R$ 5,4 bilhões e EBITDA 17% abaixo do esperado no trimestre encerrado em junho
Processos judiciais equivalem a pouco mais de 3% da receita líquida, segundo estimativa de gestor
As ações da Hapvida (HAPV3) caíram mais de 90% desde o IPO em 2018 e têm o pior desempenho da bolsa brasileira neste ano. Entre os analistas acompanhados pela Bloomberg, só um recomenda a compra do papel.
Quem tem a ação convive com perdas seguidas. O papel caiu em cada um dos últimos cinco anos, com quedas anuais de até 56%. No mês passado, um dos gestores de fundos de ações mais conhecidos do país classificou a aposta de vários anos na Hapvida como seu maior erro de investimento.
Ebitda decepciona em três dos últimos quatro trimestres
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou abaixo das estimativas de analistas em três dos últimos quatro trimestres. De abril a junho, o Ebitda ficou 17% abaixo do esperado, segundo dados compilados pela Bloomberg.
A fusão com a NotreDame Intermédica em 2021 criou uma empresa avaliada em mais de R$ 110 bilhões. A adaptação a uma base de clientes de maior renda coincidiu com juros em alta e com a inflação médica acima da inflação geral.
Processos já consomem pouco mais de 3% da receita
As negativas de cobertura viraram uma enxurrada de ações judiciais. Renato Jerusalmi, gestor da Riza Asset, estima que os processos representem pouco mais de 3% da receita líquida.
“O grande desafio da Hapvida hoje é repassar preço, a empresa não vem conseguindo”, disse Jerusalmi. Um representante da companhia não quis comentar.
O caixa que a empresa ainda gera vai em boa parte para esses custos, e não para reduzir a dívida de R$ 5,4 bilhões.
Kora, Alliança e Oncoclínicas renegociam dívidas
Kora Saúde, Alliança Saúde (AALR3) e Oncoclínicas (ONCO3) entraram em reestruturação extrajudicial após o peso das dívidas.
Em relatório recente, o analista Samuel Alves, do BTG Pactual (BPAC11), escreveu que a Hapvida ainda tem posição de caixa sólida, mas que o consumo persistente de caixa preocupa cada vez mais.