Em resumo
- Sobretaxa de 25% dos EUA entra em vigor em 22 de julho
- Tarifa atinge cerca de 18% das exportações ao mercado americano, ou US$ 7,4 bilhões pela pauta de 2024
- Plano Brasil Soberano anterior mobilizou R$ 30 bilhões em crédito pelo FGE
O governo começa nesta terça-feira a definir o tamanho do socorro às empresas atingidas pela tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos, que entra em vigor na quarta-feira (22).
As conversas serão conduzidas pelo ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Três entidades já estão na agenda: Abicalçados, Abit e Abiplast.
A sobretaxa alcança cerca de 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a quando considerada a pauta de 2024. Pelos dados de 2025, o impacto cairia para US$ 5,8 bilhões.
US$ 7,4 bilhões em exportações
Alíquota chega a 50% em 24% dos itens
A alíquota padrão é de 25%. Em 24% dos produtos atingidos, a cobrança soma-se a tarifas anteriores e chega a 50%.
Madeira, máquinas, equipamentos elétricos, móveis, calçados e açúcar estão entre os mais expostos. Soja, café, carne bovina, suco de laranja e aeronaves ficaram de fora.
Pacote de 2025 usou R$ 30 bilhões em crédito
Durigan afirmou que o volume do novo pacote depende das consultas aos setores produtivos. A sinalização da Fazenda é de uma rodada menor que a anterior, com foco em capital de giro e investimentos.
Em 2025, a primeira versão do Plano Brasil Soberano mobilizou:
- R$ 30 bilhões em crédito pelo Fundo de Garantia à Exportação
- R$ 4,5 bilhões em aportes a fundos garantidores
- até R$ 5 bilhões com a ampliação do Reintegra
"A gente não tem valor ainda porque, primeiro, precisa ouvir os setores afetados", disse o ministro da Fazenda. Os primeiros efeitos do reforço devem aparecer no início de agosto, segundo ele.
Comércio bilateral recua 12,8% no semestre
Brasil e Estados Unidos movimentaram US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre, 12,8% menos que um ano antes. As exportações brasileiras caíram 13%, para US$ 17,4 bilhões. As importações de produtos americanos recuaram 12,5%, para US$ 19 bilhões.
O país fechou o período com déficit de US$ 1,5 bilhão na troca com os americanos. Em junho, as vendas aos EUA cresceram 3,7%, para US$ 3,47 bilhões, mas o volume embarcado caiu 6,6%.
Para a pesquisadora Lia Valls, do Ibre/FGV, o tarifaço dificilmente altera o saldo agregado da balança, porque a fatia americana nas exportações caiu para cerca de 9,4%. "O nosso grande mercado realmente é a Ásia, principalmente a China", afirmou.
O governo avalia recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica e já anunciou que retomará o tema na Organização Mundial do Comércio. O presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro, descarta a retaliação: "O Brasil não tem cacife para retaliar os Estados Unidos".
Mercadorias que já estavam em trânsito antes da entrada em vigor podem ser desembaraçadas sem a nova cobrança até 29 de julho.
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