Galípolo: juro alto deixa Brasil em posição melhor diante da guerra
BC revisou a projeção de inflação do horizonte relevante de 3,2% para 3,3% e manteve o PIB de 2026 em 1,6%.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Selic estava em 15% ao ano até poucos dias antes da coletiva
IPCA-15 de março: +0,44%, contra +0,84% em fevereiro
Projeção do BC para o horizonte relevante subiu de 3,2% para 3,3%
O aperto monetário de 2025 deixou o Brasil em posição melhor diante da guerra no Oriente Médio, disse Gabriel Galípolo nesta quinta-feira (26). O presidente do BC citou a Selic de 15% ao ano até poucos dias atrás e o fato de o país ser exportador líquido de petróleo como o colchão que sustenta a cautela.
Quem carrega título público ou ação deve ler o recado como sinal de que o BC não tem pressa para cortar juros. Galípolo disse que a instituição vai esperar a próxima reunião do Copom, realizada a cada 45 dias, para medir a extensão do choque de oferta. "Choques de oferta tendem a pressionar preços e a reduzir o crescimento, mas ainda não está claro em que magnitude isso vai ocorrer", afirmou, segundo o Seu Dinheiro.
O diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, afirmou que a alta da incerteza global já contamina as projeções, com expectativa de desaceleração das economias americana e mundial. No Brasil, a inflação segue acima da meta de 3% ao ano e as expectativas continuam desancoradas ao longo do horizonte.
Horizonte relevante sobe de 3,2% para 3,3%
O BC elevou a inflação projetada para o horizonte relevante, hoje o terceiro trimestre de 2027. A estimativa passou de 3,2% para 3,3%, puxada pelo petróleo mais caro e por revisões na capacidade produtiva do país, parcialmente compensadas pela valorização do real.
O IPCA-15 de março trouxe três leituras:
alta de 0,44% no mês, ante 0,84% em fevereiro
3,90% em 12 meses
desaceleração dos núcleos, segundo Picchetti
Para 2026, o BC manteve a projeção de PIB de 1,6% em 2026, com consumo das famílias e investimento mais fracos e a agropecuária como contraponto.
Consignado privado cresce acima de 50%
Conforme o Times Brasil, as concessões do consignado privado avançam acima de 50% a 60%, puxadas por tomadores novos e de risco mais alto, o que encarece a operação. "O crédito emergencial tem sido usado como renda disponível, mas é o mais caro que existe e deveria ser utilizado apenas em situações excepcionais", disse Galípolo.
Para o crédito, o BC revisou a projeção de expansão em 2026. A estimativa subiu de 8,6% para 9%, ainda em trajetória mais moderada, com inadimplência maior, parte dela por mudança metodológica. A produtividade cresce apenas 0,6% ao ano, ponto de atenção para a inflação de serviços.