Em resumo
- Estrangeiros aportaram R$ 27 bilhões na bolsa brasileira em 2025
- Fluxo cambial negativo em US$ 33,3 bilhões em 2025, com saída de US$ 82,5 bilhões na conta financeira
- Tributação de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil/mês estimulou retirada de recursos
Estrangeiros aportaram R$ 27 bilhões na bolsa brasileira em 2025, mas o fluxo cambial fechou o ano com saída líquida de US$ 33,3 bilhões. Os números são do Banco Central e foram compilados pelo InvestNews.
Para quem tem ação brasileira na carteira, o dado separa duas coisas que costumam andar juntas. A procura por papéis na B3 não significa dólar parado no país: o mesmo investidor que compra ação também remete lucros, dividendos e amortizações para fora.
A conta financeira do BC reúne o investimento estrangeiro em ações, mas também títulos, investimentos diretos, remessas de lucros e dividendos, juros de dívida externa e amortizações de empréstimos internacionais. Entram na matemática operações de estrangeiros e de brasileiros.
Conta financeira tira US$ 82,5 bilhões do país
O fluxo cambial negativo de 2025 veio de duas frentes:
- saída de US$ 82,5 bilhões pela conta financeira
- entrada de US$ 49,1 bilhões pela conta comercial, que registra exportações e importações
Foi a segunda maior retirada de dólares pela conta financeira desde 1982, quando começa a série do Banco Central.
Tributação de dividendos de 10% puxou remessas
A lei que criou a cobrança de 10% sobre dividendos foi aprovada em novembro, depois de uma discussão que começou em março. A alíquota incide sobre o que superar R$ 50 mil por mês. No ano, o limite é de R$ 600 mil.
Com a cobrança no horizonte, investidores estrangeiros e brasileiros retiraram recursos do país, e empresas anteciparam o pagamento de proventos antes de o ano terminar. A tributação já está em vigor.
Novo ano começa com mais R$ 750 milhões
A procura por ações não parou em 2025. Estrangeiros aportaram R$ 750 milhões até 8 de janeiro, mesmo com a taxação de dividendos já valendo.
O fluxo da B3 mede a demanda por papéis já listados ou por novas ofertas. O fluxo cambial mede o dólar que efetivamente entra e sai do país, e é ele que explica por que os dois números apontam em direções opostas.
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