CVM formaliza acusação contra ex-CEO da CVC por inconsistências de R$ 362 milhões
Processo apura que falhas nos controles internos da operadora de viagens teriam favorecido o pagamento de bônus indevidos a executivos.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Inconsistências contábeis apontadas somam R$ 362 milhões no período de 2015 a 2019.
CVM citou Fogaça formalmente em 30 de janeiro de 2026; processo está em fase inicial.
CVCB3 era negociada a R$ 2,54, com alta de 13,90% no dia, e valor de mercado de cerca de R$ 1,34 bilhão.
A CVM acusou formalmente Luiz Fernando Fogaça, ex-CEO da CVC Brasil (CVCB3), por inconsistências contábeis de R$ 362 milhões nos balanços da companhia entre 2015 e 2019. A peça acusatória foi assinada em dezembro e veio a público nesta sexta-feira (30).
O processo 19957.007223/2022-41 tramita desde junho de 2022 e apura quebra de deveres fiduciários e eventual fraude de administradores da operadora de viagens. Fogaça foi CFO por oito anos antes de assumir o comando da empresa entre 2019 e 2020. A investigação aponta que os controles internos da própria CVC já tinham identificado os problemas, e que as falhas teriam favorecido o pagamento de bônus indevidos a executivos.
Fogaça foi citado em 30 de janeiro
O caso está na fase de citação e envio de defesas, e o ex-gestor foi formalmente citado como investigado em 30 de janeiro de 2026. Em nota, a defesa afirma que Fogaça exerceu as funções "com observância rigorosa dos deveres legais" e que apresentará sua defesa no curso do processo. O processo pode terminar em multas e em proibição de atuação no mercado de capitais para os envolvidos.
Para quem tem a ação, o desfecho mexe com a conta de indenizações: advogados apontam que investidores prejudicados precisam comprovar dolo e má-fé dos gestores para buscar reparação na Justiça.
Papel vale R$ 2,54, contra R$ 37,69 no fim de 2019
A ação da CVC subiu 13,90% nesta sexta-feira e fechou o dia cotada a R$ 2,54. A empresa vale hoje cerca de R$ 1,34 bilhão na B3, uma fração do que valia antes do escândalo contábil:
R$ 37,69 por ação no fim de 2019, antes da crise
R$ 55,48 em janeiro de 2019, no pico do período
Queda de 50% em poucos pregões em 2020, quando as falhas vieram a público
Nova gestão quer 10 mil consultores porta a porta
A empresa prepara para 2026 um modelo de consultoria "porta a porta", com meta de 10 mil consultores ativos, para recuperar a capilaridade de vendas. O processo segue em tramitação na CVM enquanto a nova gestão tenta a virada operacional.