A nova tarifa de 12,5% dos Estados Unidos entrou em vigor nesta sexta-feira (24) e atinge 23,1% das exportações brasileiras, segundo o MDIC. Para parte da pauta, ela se soma à sobretaxa de 25% cobrada desde quarta-feira (22), o que leva a sobretaxa acumulada a 37,5%.
Quem tem ação de exportadora na carteira sente o efeito no preço antes de sentir no balanço. A XP classificou o anúncio como neutro para a Embraer (EMBJ3) e para a fabricante de autopeças Tupy (TUPY3), porque os papéis já descontavam a medida. Para a WEG (WEGE3), a leitura é de efeito marginalmente negativo: o Goldman Sachs estima que 29% da receita líquida da empresa venha da América do Norte, e até um terço disso pode ser atingido. O BTG Pactual trata a tarifa como vento contrário passageiro, não como risco estrutural.
16,5% da pauta pagam as duas tarifas
O MDIC dividiu as exportações alcançadas em três faixas, segundo o InfoMoney:
- 16,5% pagam as duas tarifas, com sobretaxa de 37,5%
- 4,7% pagam apenas os 12,5%
- 1,9% pagam só os 25%
A faixa de alíquota cheia soma US$ 6,6 bilhões em vendas de 2024. O Times Brasil converteu o valor em R$ 33,6 bilhões, pela cotação de R$ 5,08.
A CNI conta 4.060 produtos na alíquota cheia, o equivalente a US$ 12,4 bilhões. Esse total representa 29,4% de tudo que o Brasil vende aos americanos. Pelo levantamento da Global Trade Alert, a tarifa efetiva média sobe de 11% para 17,7%, alta maior que a de Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia.
Café, carnes e aeronaves ficam de fora
Pouco mais da metade da pauta, 52,7%, escapa das duas medidas, segundo o MDIC: café, carnes, aeronaves, suco de laranja e a maior parte da celulose. Outros 24,2% já pagam as tarifas setoriais da Seção 232. A Abimaq projeta queda de 10% a 11% nas vendas de máquinas aos EUA.
Na Abicalçados, o presidente-executivo Haroldo Ferreira resumiu o efeito sobre os calçados: "O que já estava ruim piorou". O governo brasileiro classificou a medida como arbitrária, conforme o Seu Dinheiro, e acionou a Lei de Reciprocidade e disputa na OMC.