Enel propõe rede subterrânea em SP, onde 1% dos fios fica enterrado
Apagão de 10 de dezembro deixou cerca de 2,3 milhões de imóveis da Grande São Paulo sem energia.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Menos de 1% dos mais de 20 mil km de fiação de São Paulo está no subsolo
Programa SP Sem Fios enterrou 46,5 km de fios até agora
Enel prevê R$ 10,4 bilhões em investimentos entre 2025 e 2027
A Enel disse nesta quarta-feira (17) que aceita enterrar em larga escala a fiação aérea de São Paulo. A declaração é a primeira da empresa depois que o ministro de Minas e Energia, o governador paulista e o prefeito da capital anunciaram que vão pedir à Aneel o rompimento do contrato de concessão.
Para quem tem ação ou título de uma distribuidora, o episódio mede o quanto um contrato pode ser revisto sob pressão política. Trocar rede aérea por subterrânea custa caro e, segundo a própria Enel, depende de definir as "modalidades mais apropriadas para uma remuneração adequada desse investimento". Na prática, o gasto tende a chegar à tarifa de energia.
Menos de 1% dos fios está sob o chão
Dos mais de 20 mil km de rede na capital paulista, menos de 1% está enterrado. O SP Sem Fios, programa da Prefeitura criado em 2017, enterrou 46,5 km até agora. A gestão Ricardo Nunes prometeu em 2022 chegar a 65,2 km até 2024.
A Enel afirma que a obra "requer um plano estruturado e coordenado com as autoridades públicas". Também defende que o contrato precisa prever como esse investimento será remunerado.
Blecaute de 10 de dezembro deixou 2,3 milhões sem luz
Uma ventania de quase 100 km/h derrubou centenas de árvores na capital. O apagão de 10 de dezembro deixou 2,3 milhões de imóveis sem energia na Grande São Paulo.
A empresa diz que resolveu todos os problemas da semana passada, mas ainda havia clientes reclamando de falta de luz até terça-feira (16). A concessionária afirma ter mobilizado até 1,8 mil equipes para atender 18 milhões de pessoas. O prefeito Ricardo Nunes contesta esse número e diz ter identificado bem menos veículos da empresa nas ruas pelo sistema municipal de câmeras.
TCU apontou sete de 11 metas descumpridas
Nove dias antes do apagão, a área técnica do Tribunal de Contas da União recomendou que a Aneel avaliasse uma intervenção federal na Enel. A auditoria apontou que a empresa descumpriu sete dos 11 Planos de Resultados e que as multas, acima de R$ 260 milhões, perdem efeito na Justiça.
A Enel sustenta cumprir todos os indicadores do contrato. A companhia planeja R$ 10,4 bilhões em investimentos até 2027 e afirma confiar no sistema jurídico e regulatório brasileiro para garantir segurança aos investidores com compromissos de longo prazo no país.