Minerva cai 7% após China fixar cota e forçar corte na produção
Safras & Mercado projeta queda de 3,6% nos abates do Brasil, e o Rabobank deve revisar para baixo sua estimativa anterior de até 6%.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
China aplicará taxa de 55% sobre embarques acima da cota
Safras & Mercado projeta queda de 3,6% nos abates brasileiros
Minerva cai mais de 7% e JBS recua cerca de 4% desde o anúncio
A China fixou cotas às importações de carne bovina e deve forçar os frigoríficos brasileiros a cortar a produção neste ano. O anúncio saiu em 31 de dezembro e atingiu em cheio as ações das companhias do setor.
A China compra quase metade de toda a carne bovina exportada pelo Brasil. O teto ficou abaixo do volume embarcado nos últimos anos, e a cota cobrará 55% sobre o excedente. Quem tem Minerva (BEEF3) na carteira sente mais: a empresa tem exposição ao mercado brasileiro maior que a dos pares, e as ações da Minerva caíram mais de 7% desde o anúncio. A JBS, com receita espalhada por outros países, recuou cerca de 4% no mesmo período.
Safras projeta queda de 3,6% nos abates
Os bancos e consultorias consultados cortaram as projeções para o setor. Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, estima queda de 3,6% nos abates do Brasil, contra 2,8% previstos antes do anúncio chinês.
"É um revés importante para o setor de carnes", disse Iglesias.
As revisões se acumulam:
Safras & Mercado: recuo de 3,6% nos abates;
Rabobank: deve reduzir a estimativa anterior de queda de até 6% na produção anual;
Itaú BBA: projeção de 2% de queda na produção brasileira neste ano.
Consumo chinês desacelera
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos prevê consumo chinês em queda de 2,5% em 2026, para 11,29 milhões de toneladas. Nos primeiros 11 meses do ano passado, a China importou 2,59 milhões de toneladas de carne bovina, pouco abaixo do mesmo período do ano anterior.
A oferta de gado no Brasil também diminui, porque os pecuaristas começaram a recompor os rebanhos, e isso tende a encarecer a matéria-prima das plantas frigoríficas. Do lado da demanda, os consumidores brasileiros migram para proteínas mais baratas.
Vizinhos recebem cotas mais folgadas
Argentina e Uruguai receberam limites menos restritivos, e o Itaú BBA espera que parte da carne brasileira siga para esses países, liberando oferta doméstica para atender a China. O BTG Pactual afirma que os embarques para outros mercados devem render margens menores, já que a China paga mais caro pelos cortes que o Brasil vende.
O Rabobank avalia que as exportações podem enfraquecer no fim do ano se as cotas forem cumpridas nos três primeiros trimestres.