O Fed manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% nesta quarta-feira (17), na estreia de Kevin Warsh na presidência da instituição. A decisão foi unânime, em linha com o que o mercado esperava.
A mudança veio no tom. O dólar voltou a operar acima de R$ 5 e o índice DXY superou os 100 pontos, com a leitura de que os juros americanos ficarão altos por mais tempo. Para quem tem ativos brasileiros, isso tende a puxar capital para os EUA e pressionar o câmbio e a Bolsa, como mostrou o InfoMoney.
Comitê se divide entre manter e subir juros
O gráfico de pontos revelou um comitê rachado. Segundo o InvestNews, nove das 18 autoridades que enviaram projeções preveem ao menos uma alta neste ano. Seis delas veem espaço para duas elevações.
A mediana das estimativas passou a indicar taxa de 3,8% no fim de 2026, acima do intervalo atual, conforme o Times Brasil. As reduções de juros foram empurradas para 2027 e 2028. Warsh confirmou que não enviou suas próprias projeções: foram 18 dos 19 participantes.
Inflação de 2026 revisada para 3,6%
As novas projeções do Fed:
- Inflação cheia neste ano: 3,6%, ante 2,7% em março
- Núcleo, sem alimentos e energia: 3,3%, ante 2,7%
- Crescimento do PIB: 2,2%, ante 2,4%
- Desemprego: 4,3%
O CPI de maio apontou inflação anual de 4,2% nos EUA. Já o PCE de abril acelerou para 3,8%, o maior nível desde 2023, conforme o InvestNews.
Warsh anuncia força-tarefa em cinco áreas
O comunicado encolheu de 341 para cerca de 140 palavras e dispensou o forward guidance, a sinalização sobre os próximos passos. Warsh disse que a omissão foi proposital. Ele anunciou forças-tarefa para revisar comunicação, balanço, uso de dados, produtividade e emprego, além do arcabouço de inflação. A meta de 2% ficou fora do escopo.
"Não vejo motivo para rever a meta até que tenhamos atingido 2%", afirmou.
A próxima reunião do Fed está prevista para daqui a cerca de um mês e meio.