BTG assume mais de 50% da carteira imobiliária do BRB e avalia imóveis
Aquisições dão carteiras de crédito ao BTG, mas nenhuma participação acionária no banco estatal, que negocia imóveis com lastro fiduciário.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
BTG já comprou mais de 50% da carteira de crédito imobiliário do BRB
BRB tem cerca de R$ 30 bi em depósitos judiciais
Pedido de R$ 6,6 bi ao FGC não foi atendido
O BTG Pactual (BPAC11) comprou mais de 50% da carteira de crédito imobiliário do Banco de Brasília (BRB) e negocia outros ativos do banco estatal, segundo apurou o Estadão. As aquisições não dão ao BTG participação no BRB: são carteiras, não ações.
Para quem tem o papel do BTG, a operação amplia a carteira de crédito com desconto, sem que o banco privado herde o controle ou o passivo da instituição pública. Pessoas próximas às negociações disseram que as vendas servem para dar sobrevida ao BRB, e não para mudar seu dono. Procurados, BRB e BTG não comentaram.
BTG também mira terrenos do banco
O BTG teria interesse ainda em ativos com lastro fiduciário, como imóveis e terrenos de propriedade do BRB. As aquisições ocorrem há algum tempo, e os descontos oferecidos pelo banco público explicam o interesse, segundo relatos obtidos pela reportagem.
As compras começaram em ritmo maior e diminuíram recentemente. Interlocutores divergem sobre o motivo: um deles é a incerteza gerada pela eleição presidencial; outro é a aposta de que o BRB, precisando de caixa, ofereça condições melhores ao BTG.
Depósitos de R$ 30 bi postergam a liquidação
A situação financeira do BRB é crítica, com clientes retirando recursos. O banco ainda não foi considerado insolvente porque mantém os padrões de Basileia e por causa dos depósitos judiciais de cerca de R$ 30 bilhões. O governo do DF recorreu ao STF e pediu um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para capitalizar o BRB, mas os bancos resistem a conceder a garantia.
O Tesouro negou aval da União diante do rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas distritais e da nota "C" de Capacidade de Pagamento do DF, abaixo das notas "A" e "B" exigidas.
Banco de fomento e pedido ao STF
Uma nova empresa de fomento pode ser criada para administrar operações do GDF hoje feitas pelo BRB, na linha do BDMG. A decisão ainda não está tomada, e a governadora Celina Leão estuda alternativas.
O Distrito Federal pediu ao STF o repasse de R$ 2,245 bilhões ao BRB, valor de bens e contas bloqueadas de Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master. A petição quer que BRB e DF sejam reconhecidos como vítimas das condutas investigadas.
Na semana passada, a Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre o Banco Master e indiciou Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa por crimes financeiros na venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao banco público do Distrito Federal.