Em resumo
- Brent subiu 17% desde o anúncio da AIE e fechou acima de US$ 100 pelo segundo dia.
- AIE liberou 400 milhões de barris; EUA contribuem com 172 milhões ao longo de 120 dias.
- Rystad projeta Brent a US$ 110 em abril e US$ 135 em junho se o conflito durar.
O Brent fechou acima de US$ 100 pelo segundo dia consecutivo na sexta-feira, apesar da maior liberação de reservas da história. A AIE coordenou com mais de 30 países a liberação emergencial de 400 milhões de barris, e o preço subiu 17% desde o anúncio, na quarta-feira.
Quem tem petróleo na carteira ou acompanha combustível e inflação recebeu um recado claro: a oferta segue travada no Estreito de Ormuz. Cerca de 9 milhões de barris por dia, 10% do suprimento global, seguem presos na região sem rota de saída.
EUA liberam 172 milhões de barris em 120 dias
Os Estados Unidos lideram o esforço, com 172 milhões de barris da Reserva Estratégica, 43% do total anunciado pela AIE. O volume sai no ritmo de 1,4 milhão de barris por dia, apenas 15% do que se perdeu com o bloqueio. Os barris levam 13 dias para chegar ao mercado depois da autorização.
“Até que o trânsito seja reativado, esse tipo de anúncio vai ter impacto limitado”, afirmou Tom Liles, vice-presidente sênior de pesquisa upstream da Rystad Energy. Segundo ele, Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados exportavam cerca de 14 milhões de barris diários antes da guerra, e só 5 a 6 milhões conseguem sair por dutos alternativos.
Rystad projeta Brent a US$ 135 até junho
Os 400 milhões de barris cobririam em tese cerca de 40 dias do suprimento perdido. A consultoria calcula que uma guerra de dois meses levaria o Brent a US$ 110 por barril até abril. Um conflito de quatro meses empurraria o preço para Brent a US$ 135 até junho.
Liberação consome 33% dos estoques da AIE
Os 400 milhões de barris equivalem a 33% do 1,2 bilhão mantido pelos países membros da AIE. No caso americano, os 172 milhões representam 41% dos 415 milhões da reserva estratégica.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que o governo pretende repor os barris com 200 milhões adicionais em um ano, sem custo para o contribuinte. O fechamento de Ormuz também trava 20% das exportações globais de GNL, usado na geração de eletricidade e no aquecimento.
Para Tobin Marcus, chefe de política americana da Wolfe Research, os estoques aliviam parte do choque, mas não dispensam a reabertura do estreito. A Rystad projeta Brent a US$ 110 até abril se o conflito durar dois meses.
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