Em resumo
- Braskem Idesa tem dívida superior a US$ 2 bilhões com vencimentos em 2029 e 2032
- Proposta da empresa previa aporte de até US$ 700 milhões; credores pediram até US$ 900 milhões
- Acordo para transferir controle da Braskem à IG4 Capital está no Cade e depende da Petrobras
A Braskem informou nesta segunda-feira (12) que a Braskem Idesa recusou a proposta dos credores e a reestruturação de US$ 2,3 bilhões travou. A dívida da controlada no México está acima de 50 vezes o Ebitda acumulado em 12 meses, segundo o Times Brasil.
A negociação define quanto de dinheiro novo os acionistas da subsidiária terão de colocar e quanto os credores aceitam descontar do valor de face dos títulos. Sem acordo, a dívida segue com liquidez restrita e a Braskem mantém a controlada mexicana no balanço.
Os documentos trocados com os bondholders foram divulgados após acordos de confidencialidade firmados em dezembro e expirados na semana passada, informou o Times Brasil.
Aporte de US$ 700 milhões esbarra em contraproposta de US$ 900 milhões
A proposta da Idesa prevê que os acionistas aportem até US$ 700 milhões em recursos novos, combinando linha de liquidez e aumento de capital. Aos bondholders, ofereceu a troca por papéis com prazo maior e carência de juros. A alternativa é o resgate antecipado em caixa de 55% do valor de face, dentro de um limite de US$ 400 milhões.
Os credores entregaram em 6 de janeiro uma contraproposta com injeção total de até US$ 900 milhões, juros mais altos sobre os novos instrumentos de dívida e mais garantias. O grupo também quer maior controle sobre decisões financeiras e operacionais da companhia.
Etano da Pemex e custos logísticos pressionam a Idesa
Nos materiais divulgados, a Braskem Idesa reconhece geração de caixa enfraquecida, liquidez restrita e alavancagem insustentável. A empresa atribui o quadro ao ciclo prolongado de baixa da indústria petroquímica, às dificuldades no fornecimento de etano pela estatal Pemex e ao aumento dos custos logísticos no México.
Controle da Braskem para a IG4 Capital passa pelo Cade
Em dezembro de 2025, foi protocolado no Cade um acordo que pode levar o controle da Braskem para a IG4 Capital, após entendimento com bancos credores da Novonor. A Petrobras (PETR4), que permaneceria acionista relevante, ainda avalia os termos do novo acordo de acionistas. A operação depende de aprovação do Cade e de decisão final da estatal, segundo o InvestNews.
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