Braskem deve buscar proteção judicial com dívida bruta de US$ 9,4 bilhões
Companhia fechou 2025 com prejuízo de R$ 9,9 bilhões, patrimônio líquido negativo e alavancagem de 14,74 vezes o Ebitda.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Dívida bruta de US$ 9,4 bi e líquida de US$ 7,5 bi
Cupons de mais de US$ 100 mi vencem entre junho e julho
Prejuízo de R$ 9,9 bi e patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bi em 2025
A Braskem deve pedir proteção contra credores nas próximas semanas, antes de vencimentos de dívida que não tem caixa para honrar. Segundo apuração do InvestNews, a cautelar seria o passo inicial para uma recuperação judicial ou extrajudicial.
Para quem tem a ação (BRKM5), o balanço de 2025 mostra o tamanho do buraco, com prejuízo de R$ 9,9 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 16,5 bilhões. A alavancagem terminou o ano em 14,74 vezes o Ebitda, e o CFO Felipe Jens chamou a reorganização da estrutura de capital de "prioridade absoluta". A Petrobras é a outra acionista relevante da petroquímica.
Cupons de junho e julho somam mais de US$ 100 milhões
A empresa não teria caixa para pagar os cupons de juros dos bonds internacionais que vencem entre junho e julho, estimados em mais de US$ 100 milhões. Os títulos vencem em 2028, 2030, 2031 e 2041.
O segundo risco vem da Braskem Idesa, subsidiária no México que já está em default após deixar de pagar juros em novembro do ano passado e em fevereiro. Ela negocia com credores uma reorganização via Chapter 11, o equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos.
A dívida bruta da Idesa soma US$ 2,25 bilhões, contra caixa de US$ 35 milhões. O contrato de suporte financeiro com a controlada cria obrigações adicionais para a Braskem em caso de Chapter 11, o chamado cross-default.
Bondholders detêm 75% da dívida corporativa
Os detentores de títulos internacionais concentram três quartos do endividamento corporativo, e os bancos respondem por 15%. Negociar com bondholders costuma ser mais lento e litigioso do que tratar com bancos locais, que mantêm o capital de giro em operações garantidas por recebíveis.
A companhia contratou o Lazard, o americano Cleary Gottlieb e o brasileiro E. Munhoz Advogados em setembro de 2025 para assessorá-la na reestruturação.
Dívida líquida de US$ 7,5 bilhões (R$ 41,2 bilhões)
Dívida bruta corporativa de US$ 9,4 bilhões (R$ 51,8 bilhões)
Linha stand-by de US$ 1 bilhão que vence em dezembro de 2026
US$ 1,4 bilhão em 2028 e US$ 1,6 bilhão em 2030
Metade do caixa de pouco mais de US$ 2 bilhões vem dessa linha stand-by, portanto depende de dívida de curto prazo. Com ratings CC pela Fitch e CCC- pela S&P, a Braskem perdeu acesso a novas emissões.
IG4 assume a Novonor apenas em maio
Esse é o aperto de prazo: a gestora IG4 só assume as ações da Novonor em maio, sem tempo hábil para renegociar as dívidas antes dos vencimentos. A KPMG, que auditou o balanço, registrou "incerteza relevante relacionada à continuidade operacional". Procuradas, Braskem e IG4 não se manifestaram.
Pela apuração do InvestNews, a cautelar deve sair antes da troca de comando, prevista para maio.