Braskem propõe recuperação extrajudicial com standstill de 90 dias aos credores
Dívida bruta corporativa somava US$ 9,4 bilhões no primeiro trimestre, com alavancagem de 16,8 vezes o Ebitda recorrente.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Proposta prevê standstill de 90 dias como etapa inicial da recuperação extrajudicial
Em julho vencem cerca de US$ 150 milhões em juros de títulos externos
Dívida bruta corporativa de US$ 9,4 bilhões e alavancagem de 16,8x o Ebitda no 1º trimestre
A Braskem vai propor aos credores uma recuperação extrajudicial com standstill de 90 dias, a suspensão temporária do pagamento de dívidas. A nova diretoria, eleita nesta segunda-feira (8), encerrou a transição de controle iniciada com a saída da Novonor.
Em julho começa uma série de vencimentos de juros sobre títulos emitidos no exterior de cerca de US$ 150 milhões. A companhia não tem caixa para honrar esse montante no formato atual, segundo o InvestNews.
Sem troca de dívida por ações
Um ponto já está definido: não haverá debt-for-equity, ou seja, nenhum credor se tornará acionista da petroquímica. A Petrobras (PETR3, PETR4), co-controladora ao lado da gestora IG4, também não fará aporte de capital.
O modelo será diferente do da Raízen (RAIZ4, RAIZ55), que acertou na sexta-feira (5) um haircut de 45% e a conversão parcial do passivo em ações. Na Braskem, a nova gestão busca prazo mais longo e carência para reorganizar a geração de caixa.
Dívida de US$ 9,4 bilhões e Idesa em default
A dívida bruta de US$ 9,4 bilhões encerrou o primeiro trimestre, cerca de R$ 48 bilhões. A alavancagem chegou a 16,8 vezes o Ebitda recorrente. Considerando a subsidiária mexicana Braskem Idesa, o passivo consolidado chega a cerca de US$ 12 bilhões.
A Idesa já está em default após deixar de pagar juros de bônus em novembro de 2025 e fevereiro de 2026, e negocia uma reorganização via Chapter 11 nos Estados Unidos. Como a Braskem mantém com a subsidiária um contrato de suporte financeiro, as duas reestruturações precisam caminhar juntas.
Tokeshi assume a presidência executiva
Helcio Tokeshi, sócio da IG4 e ex-CEO da CLI, foi confirmado na presidência executiva. Carlos Brandão, ex-CFO da Oi durante a recuperação judicial, comanda as finanças.
Para o conselho, a IG4 indicou cinco nomes, entre eles Hélio Novaes, Octavio Lopes e Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES. A presidência do colegiado segue com Magda Chambriard, CEO da Petrobras.
A proposta formal será levada aos credores nos próximos dias.