Raízen precisa de até R$ 25 bi e bonds caem com recuo de Cosan e Shell
Papéis com vencimento em 2032 tiveram a maior queda desde a emissão, e a Moody's rebaixou a Raízen para grau especulativo.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
UBS BB estima necessidade de aporte de R$ 20 bi a R$ 25 bi
Bonds 2032 caíram até 12 centavos; yields acima de 14%
Dívida líquida de R$ 53,4 bi no último relatório
Investidores venderam títulos em dólar da Raízen (RAIZ4) depois que a Cosan (CSAN3) resgatou papéis com cláusula de inadimplência cruzada com a controlada. O mercado leu o movimento como sinal de que nenhum dos dois controladores vai cobrir o déficit de quase US$ 4 bilhões.
Os bonds com vencimento em 2032 caíram até 12 centavos de dólar na quarta-feira, a maior queda desde a emissão em 2025. O rendimento, de 9% no fim de janeiro, supera agora 14%. Quem aceita comprar o papel exige retorno maior porque a chance de calote subiu, e os títulos acumulam perda de 18% em seis meses.
Cosan sinaliza menos disposição de colocar dinheiro
A cláusula de inadimplência cruzada permite cobrar um lado se o outro não honrar a dívida. Para o mercado, o resgate antecipado indicou que a Cosan prefere proteger o próprio caixa em vez de socorrer a controlada.
Raízen precisa de até R$ 25 bilhões de aporte
A conta para tapar o buraco varia conforme quem calcula:
UBS BB: aporte de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões
JPMorgan: R$ 18 bilhões para voltar a 2,5 vezes de dívida líquida sobre Ebitda
Último balanço: dívida líquida de R$ 53,4 bilhões
Raízen e consultores discutiram nesta semana um haircut na dívida em eventual reestruturação, a cisão de parte dos negócios, incluindo a distribuição de combustíveis, uma oferta de ações e uma injeção de capital. As conversas estão no início e nada foi decidido.
A Shell evitou aportar capital por conta própria porque um cheque grande a levaria a mais de 50% da Raízen, o que obrigaria a consolidar a dívida no próprio balanço. A Cosan ainda digere a compra de ações da Vale (VALE3), e o aumento de capital que trouxe o BTG não será usado na controlada, segundo pessoas ouvidas pela Bloomberg. O BTG aplicou R$ 4,5 bilhões na Cosan e afirmou que não terá papel ativo na reestruturação.
Moody's rebaixa a nota e JPMorgan vê reação exagerada
A Moody's rebaixou a Raízen para grau especulativo, e a S&P cortou a nota para BBB-, com perspectiva negativa. O JPMorgan elevou a recomendação do bond na quarta-feira e classificou a queda como "reação exagerada", citando liquidez confortável e o plano de venda de ativos em andamento.
O BTG Pactual recomendou o bond RAIZBZ 2035 em janeiro, quando ele valia 77% do valor de face e rendia 9,6%. O papel negocia agora a 66,25% do valor de face, com taxa de 11,90%.