O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, a Will Financeira controlada pelo Banco Master. O ato assinado por Gabriel Galípolo cita a insolvência da instituição e o vínculo de controle com o Master, liquidado em novembro.
Para quem aplicou em CDB da fintech, a cobertura de até R$ 250 mil por CPF segue valendo pelo FGC. O fundo estima desembolsar cerca de R$ 6,3 bilhões com a Will, número que pode mudar porque clientes que já bateram o teto em liquidações anteriores do conglomerado não recebem de novo.
A Will operava sob Regime Especial de Administração Temporária desde 18 de novembro, quando o BC tentou preservar a operação à espera de um comprador. A venda não saiu. Em 19 de janeiro, a fintech descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard.
Mastercard executa garantias e fica com 31,87% da Westwing
Com os pagamentos não honrados, a bandeira bloqueou a participação da Will no arranjo e executou garantias ligadas às dívidas da instituição. Passou a deter 31,87% da Westwing (WEST3) e participações relevantes no BRB (BSLI3), segundo InvestNews e NeoFeed.
O Will Bank foi criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024, com injeção de R$ 2 bilhões no capital. Segundo o NeoFeed, a fintech chegou a setembro com patrimônio líquido negativo em R$ 76,1 milhões. InvestNews e Suno Notícias citam dados do primeiro semestre: R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio de cerca de R$ 300 milhões.
FGC paga R$ 40,6 bilhões do Master e calcula nova conta
O fundo começou nesta semana a ressarcir cerca de R$ 40,6 bilhões em depósitos garantidos do Banco Master a aproximadamente 800 mil investidores, o maior pagamento de sua história, conforme o Suno Notícias. O Seu Dinheiro projeta desembolso de cerca de R$ 50 bilhões no conglomerado, quase 40% da liquidez de R$ 121,1 bilhões registrada em junho de 2025. O NeoFeed fala em rombo na casa dos R$ 40 bilhões.
Bancos podem desembolsar de R$ 4 bi a R$ 6 bi cada
Pressionado, o FGC avalia antecipar até cinco anos de contribuições e criar cobranças extraordinárias mensais, segundo o Broadcast. Se o reforço não bastar, a alíquota hoje de 0,012% do patrimônio líquido pode subir até 50%.
Os cinco maiores bancos devem concentrar o esforço: Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Caixa, Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11), com de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões cada, nas contas d'O Globo. Procuradas pelo Seu Dinheiro, as instituições e o FGC não responderam.
O FGC não deu prazo para iniciar os pagamentos da Will. Em liquidações recentes, o intervalo entre o decreto e os desembolsos variou de 30 a 60 dias.