Mensagens revelam que BRB repassou R$ 4,6 bi ao Master antes da oferta
Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de corrupção.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
BRB fez aportes ao Master desde agosto de 2024, segundo mensagens
Master repassou R$ 4,6 bi ao BRB em 20 contratos antes do anúncio
Ex-presidente do BRB foi preso na 4ª fase da Operação Compliance Zero
Mensagens do celular de Daniel Vorcaro mostram que o Banco Master recebeu aporte do BRB desde agosto de 2024, antes de qualquer oferta oficial. O anúncio da compra saiu só em março de 2025.
Os diálogos, obtidos pelo Estadão e reproduzidos pelo Times Brasil, indicam que o banco estatal do Distrito Federal já sustentava o caixa do Master meses antes de formalizar a operação. Para quem tem dinheiro no BRB ou acompanha a investigação, a questão é saber quanto saiu antes de existir contrato de compra e quem autorizou cada repasse.
Compulsório na mesa em setembro
Em 2 de setembro de 2024, Vorcaro escreveu a Augusto Lima, ex-sócio do Master, que usaria o depósito compulsório se o BRB não transferisse os recursos prometidos naquele dia. O compulsório é a reserva que o Banco Central obriga os bancos a manter; sacá-la sinaliza caixa no limite.
No dia seguinte, ele cobrou resposta sobre uma Cédula de Crédito Bancário parada havia 15 dias. Lima respondeu que a outra parte liquidaria até quinta-feira. Em dezembro, Vorcaro disse precisar de cerca de R$ 600 milhões em caixa, e Lima garantiu que o valor entraria naquela semana.
R$ 4,6 bilhões em 20 contratos
Desde julho de 2024, o Master cedeu carteiras de consignado ao BRB para viabilizar os repasses. Em janeiro de 2025, o BRB passou a filtrar e recusou parte delas, e o Master começou a enviar papéis da Tirreno, que os investigadores apontam como estrutura criada por Vorcaro para fraudar a triangulação.
Antes do anúncio oficial, o Master já havia repassado R$ 4,6 bilhões em 20 contratos:
seis em janeiro, R$ 1,66 bilhão;
seis em fevereiro, R$ 1,82 bilhão;
oito em março, R$ 1,12 bilhão.
Ex-presidente do BRB preso
Paulo Henrique Costa foi preso na quinta-feira (16), na quarta fase da Operação Compliance Zero, sob suspeita de corrupção na compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras que as autoridades classificam como falsas. Vorcaro está preso desde 4 de março e negocia delação premiada.
Em setembro de 2025, o Banco Central vetou a oferta de R$ 2 bilhões do BRB pelo Master, e o banco foi liquidado em novembro. As defesas de Vorcaro e de Costa não se manifestaram sobre os diálogos.