O Banco Central decretou nesta terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master e a indisponibilidade dos bens de seus controladores. Horas antes, a Polícia Federal prendeu o dono do banco, Daniel Vorcaro, no aeroporto de Guarulhos.
A medida interrompe as operações da instituição e joga a cobrança dos credores para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O Master tinha R$ 62,2 bilhões em depósitos elegíveis à cobertura do FGC em março, segundo dados do sistema IFData do BC citados pelo NeoFeed. O fundo tinha R$ 107,8 bilhões em liquidez no fim de 2024.
Venda à Fictor cai um dia após o anúncio
O Grupo Fictor comunicou na segunda-feira (17) a compra do Master, com aporte de R$ 3 bilhões de um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. O negócio dependia de aval do BC e do Cade e não resistiu à liquidação decretada no dia seguinte.
Antes disso, o BC já havia rejeitado em setembro a compra de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais pelo BRB (BSLI3; BSLI4). O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do comando por 60 dias, informou o NeoFeed.
Operação apura títulos de crédito falsos
A Operação Compliance Zero investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições do sistema financeiro. Segundo a PF, carteiras de crédito sem lastro foram vendidas a outro banco e, após fiscalização do BC, trocadas por ativos sem avaliação técnica adequada.
A corporação cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. Ao todo são sete mandados de prisão, cinco preventivos e dois temporários, conforme NeoFeed e InvestNews.
Defesa nega fuga e fala em reunião no exterior
Vorcaro foi detido por volta das 22h30 de segunda-feira no terminal executivo de Guarulhos, quando embarcaria em jato próprio, segundo o NeoFeed. Os advogados negam tentativa de fuga e afirmam que ele ia fechar a venda do banco: o NeoFeed cita os Emirados Árabes Unidos como destino, e O Antagonista, o Catar.
A liquidação atinge também a Master Corretora e outras empresas do grupo. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada liquidante, sob responsabilidade técnica de Eduardo Felix Bianchini, em termo assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.
O BC classificou o conglomerado como de pequeno porte, com 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional. Para captar, o Master chegou a pagar 140% do CDI em CDBs, segundo o NeoFeed.