PF liga Moraes a 22 parcelas de R$ 80,2 milhões pagas pelo Banco Master
Relatório da PF concluído em agosto reconstitui encontros e mensagens entre o ministro e o dono do Master desde dezembro de 2023.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
PF registra 316 interações no celular de Vorcaro com o número atribuído a Moraes entre setembro e novembro de 2025
Contrato com escritório de Viviane Barci de Moraes previa R$ 108 milhões líquidos; Master pagou R$ 80,2 milhões em 22 parcelas
Plenário do STF suspendeu julgamento em 15 de setembro após vista de Dino; prazo termina em 14 de dezembro
Relatório da Polícia Federal concluído em agosto reconstitui a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento aponta um contrato de R$ 108 milhões com o escritório da mulher do ministro e mensagens em que o banqueiro pede ajuda para frear as investigações.
O Master entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025, quando os repasses ao escritório pararam. A disputa foi para o STF, que ainda não decidiu se um de seus ministros vira alvo de investigação formal. Nas conversas recuperadas pela perícia aparecem referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Contrato assinado em 23 de janeiro de 2024
O primeiro contato registrado é de 26 de dezembro de 2023, quando o número de Moraes foi salvo no celular de Vorcaro. A ponte foi o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Quatro dias depois, os dois se encontraram no hotel do banqueiro em Campos do Jordão (SP).
No mês seguinte, o Master fechou contrato com o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, de Viviane Barci de Moraes:
R$ 108 milhões líquidos, em 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões;
cerca de R$ 131 milhões brutos em três anos, com 17% de tributos;
22 parcelas somaram R$ 80,2 milhões até a liquidação do banco.
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a PF achou duas alterações nos metadados do arquivo, feitas por um perfil chamado "Ministro Alexandre de Moraes", em 11 e 15 de janeiro de 2024. O escritório confirmou as edições e disse ter prestado serviços de compliance, com 94 reuniões. Moraes classificou o contrato como "legalmente existente".
Vorcaro pergunta por Gonet e Andrei
Em 4 de novembro de 2025, o banqueiro perguntou se havia "algo que dê para bloquear". Em 15 de novembro, escreveu: "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?". A PF diz que se referia a Gonet e a Andrei Rodrigues. Os investigadores não apontam tentativa de Moraes de adiar medidas contra o banqueiro.
Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos em 17 de novembro de 2025, quando embarcaria para Malta. Foi solto em 29 de novembro e voltou a ser preso em 4 de março de 2026, em nova fase da Operação Compliance Zero.
Anac apura dois aviões do banqueiro
O gabinete de Moraes nega os encontros e afirma que ele "jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro". Em 28 de outubro de 2026, a Anac notificou operadores de dois aviões ligados ao banqueiro, de prefixos PP-BIO e PS-FSW, para apurar se as aeronaves transportaram o ministro. Nenhum dos dois tem licença de táxi aéreo, segundo o Times Brasil.
O plenário do STF ainda não decidiu se Moraes será investigado.