FGC pode desembolsar R$ 60 bilhões se Digimais for liquidado, aponta estimativa
Banco tinha R$ 8,4 bilhões em depósitos a prazo em março, mas ainda não está definido quanto desse total é elegível à cobertura do fundo.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
PF estima que liquidação do Digimais pode elevar desembolsos do FGC a R$ 60 bilhões.
FGC já pagou cerca de 93% dos R$ 51,8 bilhões ligados ao conglomerado Master.
Venda do controle do Digimais ao BTG dependeria de aporte de R$ 7 bilhões do FGC, segundo a PF.
A liquidação do Banco Digimais pode elevar a conta do FGC a R$ 60 bilhões neste ano. A estimativa é da colunista Mariana Barbosa, do UOL, e considera o cenário em que a venda do controle ao BTG Pactual não se concretiza.
O FGC já desembolsou cerca de 93% dos R$ 51,8 bilhões devidos a investidores com títulos de renda fixa do conglomerado Master, entre eles Will Bank, Letsbank e o Banco Pleno. O Digimais tinha R$ 8,4 bilhões em depósitos a prazo em março, mas o quanto desse total é elegível à cobertura ainda não está definido.
Venda ao BTG depende de aporte de R$ 7 bilhões
A Polícia Federal afirma que a proposta de venda do controle do Digimais ao BTG Pactual (BPAC11) estaria condicionada a uma injeção de R$ 7 bilhões do FGC para cobrir o déficit da instituição. Os investigadores classificaram o arranjo como "terceirização do ônus financeiro" ao fundo.
Sem a transação, os federais afirmam que a liquidação do banco poderia ser decretada. Nesse caso, o FGC teria de ressarcir os depositantes cobertos pela garantia. O Digimais é ligado ao bispo Edir Macedo e é alvo de investigação da PF.
Banco Central mandou reverter cotas infladas
A investigação partiu de um processo de supervisão do Banco Central. A autarquia identificou cotas registradas por R$ 741,3 milhões no Hermon Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Não Padronizados, contra custo de aquisição de R$ 71 milhões.
Em termo de 26 de outubro de 2023, o BC determinou a reversão das rendas e o retorno das cotas ao custo. O Digimais pediu para parcelar o impacto da correção em cinco anos.
Contrato com controladora manteve R$ 741,3 milhões
Em 29 de dezembro de 2025, o Digimais fechou com a controladora B.A. Empreendimentos a venda das cotas por R$ 741,3 milhões. O pagamento ficou previsto só para 2032, e a PF diz que não houve ingresso de recursos no caixa.
Para o BC, a operação manteve no balanço os valores das reavaliações e superou o limite de exposição de crédito em R$ 699,6 milhões. O contrato previa IPCA mais 0,5% ao ano, o que, segundo a autarquia, caracteriza financiamento ao controlador.
Os investigadores apontaram que a estrutura pode se enquadrar como operação vedada pela Lei nº 7.492/1986.