Em resumo
- Petróleo fechou a US$ 105,33/barril, ante US$ 72,48 antes do conflito
- Travessias diárias em Ormuz caíram de cerca de 135 para quase zero
- IEA classificou interrupção de um quinto do fluxo global como maior choque de oferta da história
O petróleo fechou a US$ 105,33 por barril na sexta-feira, e as negociações entre Estados Unidos e Irã travaram no fim de semana. Trump cancelou a viagem de seus principais negociadores ao Paquistão no sábado (25).
O bloqueio do Estreito de Ormuz chega ao segundo mês sem prazo para terminar, mesmo com o cessar-fogo mantido desde o começo de abril. Para quem tem petróleo, gasolina ou gás na carteira, a oferta segue interrompida e não há sinal de reabertura do principal ponto de passagem energético do mundo.
Travessias em Ormuz caem a quase zero
As passagens diárias pelo estreito recuaram para quase zero, contra cerca de 135 antes do início do conflito, em 28 de fevereiro. Os dois países mantêm bloqueios sobre a rota: os EUA já redirecionaram 37 navios, e o Irã usa uma frota de pequenos barcos armados.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não entrará em "negociações impostas sob ameaça ou bloqueio". Seu chanceler, Abbas Araghchi, encontrou mediadores no Paquistão no sábado e deixou Islamabad antes da chegada dos enviados americanos.
Barril acumula alta de 45% desde fevereiro
O petróleo de referência saiu de US$ 72,48 na véspera do conflito e fechou a US$ 105,33 na sexta. A Agência Internacional de Energia classificou a interrupção de cerca de um quinto do fluxo mundial como o maior choque de oferta da história.
O preço médio da gasolina nos Estados Unidos chegou a cerca de US$ 4 por galão na sexta, ante aproximadamente US$ 3 no fim de fevereiro. O gás natural liquefeito também encareceu: um quinto do fornecimento global foi asfixiado, e os preços de referência na Europa estão um terço acima dos níveis pré-guerra.
Vitol vê 1 bilhão de barris perdidos
O mercado já desconta uma perda de cerca de 1 bilhão de barris, segundo Russell Hardy, presidente-executivo do Vitol Group, em fala no FT Commodities Global Summit. Parte disso vem do tempo necessário para retomar os fluxos depois que o estreito reabrir.
Em outra frente, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou no sábado ataques a alvos do Hezbollah no Líbano. As Forças de Defesa de Israel disseram ter atingido depósitos de armas no sul libanês, dias após Trump anunciar a extensão do cessar-fogo entre os dois países por três semanas.
Araghchi esteve em Omã no domingo (26) para conversas com o sultão Haitham bin Tariq e planeja voltar ao Paquistão antes de seguir para a Rússia, segundo a agência estatal IRNA.
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