IGP-DI sobe 2,41% em abril, maior nível desde 2021, e pressiona Selic
Petróleo acima de US$ 100 espalha custo por embalagens, fertilizantes e frete, e FGV vê IPCA entre 4,7% e 5,7% em 2026.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
IGP-DI: +2,41% em abril; IPA +3,09%, IPC +0,88% e INCC +1,00%
Petróleo acima de US$ 100 pressiona custos industriais, fertilizantes e frete
Projeção para o IPCA fica entre 4,7% e 5,7%, acima do teto de 4,5%
O IGP-DI subiu 2,41% em abril, o maior resultado mensal desde 2021, e o petróleo caro se espalhou pelos preços industriais. A alta superou os 0,30% de abril do ano passado e os 1,14% de março, segundo o FGV Ibre.
Para quem tem título público na carteira ou aposta na queda da Selic, o dado mexe com a próxima decisão do Copom. André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV, prevê o BC pausando os cortes em junho e mantendo a Selic em 14,5% ao ano. A lógica dele: o choque é de custo, e juro alto não derruba preço de barril de petróleo.
IPA salta de 1,38% para 3,09% no atacado
O Índice de Preços ao Produtor Amplo foi de 1,38% em março para 3,09% em abril. Matérias-primas brutas subiram 4,57%, ante 2,11% no mês anterior, e bens intermediários, 3,27% contra 0,69%. Sacos e sacolas plásticas para embalagem dispararam 30,75%.
No IPC, a gasolina subiu 3,84% e o leite longa vida, 15,68%. Na construção civil, os tubos e conexões de PVC avançaram 4,82%.
IPCA pode chegar a 5,7% e furar o teto da meta
Braz projeta o IPCA entre 4,7% e 5,7% em 2026, com alta probabilidade de estourar o teto de 4,5%. Antes da escalada do petróleo, o mercado trabalhava com 3,5% a 3,8%. Para maio e junho, a estimativa é de 0,40% a 0,45% ao mês, contra cerca de 0,25% um ano antes.
Ele também cita o El Niño. "A meteorologia anunciou o El Niño, e não é fraco nem moderado", afirma, e aponta risco para a safra e para a geração de energia.
O petróleo é matéria-prima de embalagens, fertilizantes, defensivos e poliéster, o que leva o custo até o vestuário. A transmissão ao consumidor depende da renovação dos estoques do varejo e deve aparecer ao longo dos próximos três meses.
O Copom se reúne em 16 e 17 de junho para decidir a Selic.