A Petrobras (PETR4) aprovou investimentos de US$ 109 bilhões para o período de 2026 a 2030, recuo de 1,8% ante o plano quinquenal anterior.
A remuneração menor pesa para quem tem a ação. O plano corta os dividendos ordinários para uma faixa de US$ 45 bilhões a US$ 50 bilhões e retira a previsão de proventos extraordinários. As ações caíram cerca de 2% na sexta-feira (28), com a PETR4 a R$ 31,79, segundo a InfoMoney.
Sem dividendo extraordinário até 2030
O diretor financeiro Fernando Melgarejo afirmou que "provavelmente" não haverá dividendo extraordinário no horizonte do plano. Para pagar proventos adicionais, disse, é preciso um fluxo de caixa operacional capaz de deixar a dívida neutra.
O plano anterior previa até US$ 10 bilhões em dividendos extraordinários. Segundo o executivo, "para ter um fluxo de caixa muito maior, a gente precisa ter Brent muito maior ou uma produção muito maior". A CEO Magda Chambriard disse não haver discussão sobre mudar a política, que distribui 45% do fluxo de caixa livre.
Brent a US$ 63 e corte em baixo carbono
A estatal cortou os aportes sobretudo em energias de baixo carbono e descarbonização. A área de Exploração e Produção recebeu US$ 78 bilhões, US$ 1 bilhão acima do plano anterior.
A Petrobras passou a projetar o Brent a US$ 63 em 2026, contra US$ 77 na previsão anterior. Para os anos seguintes, a previsão é de US$ 70. Chambriard disse que o preço do petróleo está hoje em 75% do valor do início de 2024.
Dos US$ 91 bilhões na carteira em implantação, US$ 81 bilhões são projetos contratados. Outros US$ 10 bilhões ficarão em revisão trimestral, conforme a cotação do Brent e o câmbio. A companhia estima economizar US$ 12 bilhões em custos operacionais até 2030, queda de 8,5%.
Pico de produção se estende até 2034
A Petrobras espera atingir 2,7 milhões de barris por dia em 2028. O volume é 200 mil acima do previsto para 2026.
O patamar de produção, antes previsto até 2032, deve se estender até 2034, segundo a CEO. A companhia produziu 2,150 milhões de barris por dia em 2024. A projeção é encerrar 2025 com 2,4 milhões.
Serão implantados oito novos sistemas de produção até 2030. Sete deles já estão contratados, principalmente em Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.