MPF aponta omissão de dívida em captações de R$ 10,2 bi da Americanas
Investidores das ofertas de ações de 2017 e 2020 não receberam informações claras sobre o risco sacado, segundo os procuradores.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Ofertas de 2017 e 2020 somaram R$ 10,2 bilhões
MPF aponta risco sacado não apresentado como dívida financeira
Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e Safra são citados; bancos contestam
O Ministério Público Federal aponta que bancos que participaram de duas ofertas de ações da Americanas (AMER3) omitiram informações sobre a dívida da varejista. As duas captações somaram R$ 10,2 bilhões em ações.
Quem comprou papéis nessas operações avaliou o risco com um endividamento menor do que o efetivo, segundo os procuradores. A apuração integra a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga as irregularidades contábeis da companhia.
Duas captações somam R$ 10,2 bilhões
A primeira ocorreu em 2017, quando as Lojas Americanas levantaram . Três anos depois, outra oferta captou .
R$ 2,4 bilhões em follow-on
R$ 7,8 bilhões na operação de 2020
Itaú (ITUB4), Santander (BCSA34), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) participaram das duas ofertas. O Safra entrou apenas na captação de 2020, conforme o relatório.
No centro da apuração está o risco sacado. Nessa transação, o banco paga o fornecedor antecipadamente e depois recebe da varejista. Os procuradores sustentam que essas obrigações não foram apresentadas como dívida financeira, o que manteve o endividamento divulgado abaixo do real.
Uma versão inicial do memorando de 2017 citava o risco sacado de forma explícita, segundo o MPF. Após discussões entre a Americanas e os bancos, a redação mudou e a natureza de dívida ficou menos evidente. Uma fonte ligada a uma das instituições diz que as operações continuaram nos documentos como antecipação a fornecedores e que a alteração apenas uniformizou a terminologia dos bancos.
Executivos discutiram o texto das ofertas
O relatório usa mensagens de Fábio Abrate, ex-executivo da varejista responsável pela relação com os bancos, que firmou acordo de colaboração. Em conversa sobre 2017, um representante do Santander discute com ele a possibilidade de evitar certas especificações. Em outra, sobre 2020, um executivo do Itaú alerta para a falta de referência mais clara às operações financeiras.
O Itaú afirma que as discussões eram técnicas e que a decisão sobre a divulgação cabia à companhia. Os bancos negam participação na fraude e contestam a leitura do MPF, que, na versão deles, dá peso excessivo aos relatos de colaboradores.
A investigação também aponta falhas nas cartas de circularização, documentos em que as auditorias confirmam informações diretamente com os bancos. Segundo a Polícia Federal, algumas respostas não registravam o risco sacado, e versões posteriores de documentos chegaram a ser enviadas sem essa referência.