Natura lucra R$ 35 mi no 2º tri, mas Ebitda de R$ 620 mi supera consenso
Receita líquida recuou 9,1%, para R$ 5,17 bilhões, com queda de 14,8% no Brasil atribuída a falta de produtos e descasamento de ICMS em São Paulo.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
Lucro líquido de R$ 35 mi, 82% abaixo do 2º tri de 2025
Ebitda de R$ 620 mi, queda de 5,9%, acima da expectativa de R$ 528 mi
Receita líquida de R$ 5,2 bi, -9,1% na comparação anual
A Natura (NATU3) lucrou R$ 35 milhões no segundo trimestre, queda de 82% na comparação anual. A receita líquida de R$ 5,17 bilhões recuou 9,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O tombo do lucro não veio da operação. O Ebitda de R$ 620 milhões superou os R$ 528 milhões esperados por analistas, segundo a LSEG, e a receita ficou acima da projeção de R$ 5,15 bilhões. As fontes divergem na comparação do Ebitda: o InfoMoney aponta queda de 5,9% sobre o número reportado, enquanto o Times Brasil calcula recuo de 22,2% frente ao Ebitda recorrente do segundo trimestre de 2025.
O InfoMoney compara o lucro com os R$ 196 milhões consolidados de um ano antes. Na base das operações continuadas, de R$ 446 milhões, a queda chega a 92,1%, segundo o Times Brasil.
Brasil derruba receita em 14,8%
A receita no Brasil caiu 14,8%, para R$ 3,07 bilhões. A marca Natura recuou 14,5% no país e a Avon, 22,5%.
A companhia atribuiu o resultado à indisponibilidade de produtos, ligada à estabilização de um novo sistema de planejamento e à atualização do SAP, e a um descasamento tributário de ICMS em São Paulo, estimado em 2 pontos percentuais da receita. A previsão é de normalização do abastecimento ao longo do segundo semestre. Nos mercados hispânicos, a receita somou R$ 2,1 bilhões, alta de 0,7% em reais e de 7,2% em moeda constante.
Resultado financeiro vira negativo em R$ 297 milhões
A linha financeira passou de ganho de R$ 23 milhões para perda de R$ 297 milhões, com custos de liquidação de derivativos. A Natura também registrou R$ 65 milhões em despesas tributárias e R$ 23 milhões com rescisões.
Desde o novo modelo operacional, anunciado no fim de 2025, as rescisões somam R$ 263 milhões. Cerca de 85% da redução planejada na estrutura já foi executada.
Dívida líquida recua para R$ 3,9 bilhões
A dívida líquida de R$ 3,9 bilhões caiu R$ 179 milhões frente ao primeiro trimestre. A alavancagem ficou em 2,06 vezes.
O fluxo de caixa livre para a firma somou R$ 342 milhões, R$ 23 milhões abaixo de um ano antes. Uma melhora de R$ 501 milhões no capital de giro compensou a queda do lucro e as maiores saídas com depósitos judiciais e demandas tributárias, cíveis e trabalhistas.
A Natura revisou as ambições para 2026 e passou a trabalhar com recuperação gradual das receitas brasileiras. Para o ano, mantém a expectativa de fluxo de caixa livre positivo e superior ao de 2025, com alavancagem dentro da faixa considerada adequada pela companhia.