Em resumo
- Título japonês de 10 anos atinge 3%, nível inédito em 30 anos
- Índice global de títulos soberanos da Bloomberg vai a 3,72%, maior patamar desde 2008
- Dívida pública dos EUA supera US$ 40 trilhões, mais de 120% do PIB
O rendimento do título japonês de 10 anos atingiu 3% pela primeira vez desde 1996 nesta terça-feira. A venda de dívida pública se espalhou por EUA e Reino Unido, e o índice da Bloomberg para títulos soberanos globais subiu para 3,72%, o maior desde meados de 2008.
Quando os juros de mercado sobem, o preço de títulos já emitidos cai. Quem carrega papéis do governo ou fundos de renda fixa sente o efeito na marcação a mercado. Governos também pagam mais para rolar a dívida, o que aperta as contas públicas e sustenta a alta das taxas.
Japão rompe 3% pela primeira vez desde 1996
O rendimento japonês de dez anos tocou 3% pela primeira vez em trinta anos. O Reino Unido viu a taxa de seus títulos de 30 anos alcançar o nível mais alto desde 1998. Nos EUA, o Treasury de 10 anos voltou a níveis vistos pela última vez em janeiro do ano passado.
O iene caiu para cerca de 160 por dólar, o que elevou a chance de intervenção cambial. Japão e EUA concordaram em manter coordenação sobre a moeda, segundo a ministra das Finanças japonesa.
Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões
A dívida pública dos países ricos sustenta a desconfiança do mercado, segundo o InfoMoney:
- Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões, mais de 120% do PIB
- França: € 3,5 trilhões, 117% do PIB
- Japão: dívida mais que o dobro do PIB
O governo japonês continua gastando pesadamente.
Petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz
Novas hostilidades entre EUA e Irã aumentaram o temor de interrupção no fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz, e o petróleo subiu. Inflação mais alta exige juros maiores dos bancos centrais, o que encarece a emissão de dívida. Empresas americanas de tecnologia também tomam empréstimos para financiar inteligência artificial e disputam a mesma poupança que os títulos soberanos.
Os operadores precificam 70% de chance de alta de 0,25 ponto pelo Fed na reunião deste mês. O Banco do Japão deve subir juros este mês, e o Banco Central Europeu deve fazer o mesmo na próxima semana. "Os mercados estão precificando uma trajetória mais elevada para as taxas de juros nos EUA, mas também globalmente", disse Idanna Appio, da First Eagle Investments, à Bloomberg TV.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou no mês passado uma recompra de títulos para tentar conter a alta dos juros. O Fed se reúne ainda este mês.
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