Em resumo
- Mais de 800 cargueiros estão presos no Golfo, a maioria aguardando para sair.
- A região tem 426 petroleiros, 34 transportadores de GLP e 19 navios de GNL.
- O Estreito de Hormuz responde por cerca de um quinto do petróleo e do GNL do mundo.
O Estreito de Hormuz seguia em grande parte bloqueado nesta quarta-feira (8), apesar do cessar-fogo entre EUA e Irã anunciado durante a noite. Apenas sete navios deixaram a região desde a manhã de terça-feira, e três entraram, segundo dados de rastreamento compilados pela Bloomberg.
A via marítima escoa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo e está praticamente fechada desde os ataques dos EUA e de Israel no fim de fevereiro. A rapidez com que o tráfego voltar ao normal vai definir o rumo dos preços globais de commodities, e o anúncio do acordo já derrubou o petróleo em até 16%.
Travessias caem de 135 por dia para sete
Em tempos de paz, Hormuz registrava cerca de 135 travessias diárias no ano passado. Mais de 800 cargueiros presos no Golfo aguardam saída, e mais de 1.000 embarcações estavam paradas nos dois lados do estreito até a manhã de quarta-feira. A frota retida inclui:
- 426 petroleiros com petróleo bruto e combustíveis refinados
- 34 transportadores de gás liquefeito de petróleo
- 19 navios de gás natural liquefeito
O restante carrega produtos secos, como agrícolas, metais ou contêineres.
Irã exige coordenação e cobra pedágio
Teerã afirma que o cessar-fogo prevê duas semanas de passagem segura, mas condiciona a navegação à coordenação de suas forças armadas. O país também cobra pedágio de até US$ 2 milhões por travessia de algumas embarcações. Donald Trump descreveu a abertura como "completa, imediata e segura", versão diferente da iraniana.
Armadores saudaram o acordo e mantiveram o alerta. A dinamarquesa Maersk disse que a pausa pode criar oportunidades de trânsito, mas não oferece plena certeza marítima. A Hapag-Lloyd segue evitando o estreito por enquanto.
"Sair do Golfo Pérsico sem coordenação prévia com os EUA e o Irã implicaria risco elevado", afirmou Jakob Larsen, diretor de segurança da Bimco, grupo cujos membros controlam quase dois terços da capacidade global de carga marítima.
20 mil marinheiros presos a bordo
Dois navios de carga a granel cruzaram Hormuz na quarta-feira. Um deles passou entre as ilhas iranianas de Larak e Qeshm, área que o setor marítimo chama de pedágio iraniano.
Cerca de 20 mil marinheiros civis estão presos nos navios retidos, segundo levantamento da Organização Marítima Internacional (IMO) do fim de março. A agência da ONU afirmou nesta quarta-feira que recebeu positivamente o acordo. Seu secretário-geral, Arsenio Dominguez, disse que trabalha com as partes para implantar um mecanismo de passagem segura e que a prioridade é evacuar as embarcações com segurança.
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