Goldman rebaixa Hapvida para neutra, corta alvo para R$ 11 e ação cai 5,4%
Banco cortou a estimativa de lucro líquido ajustado de 2026 em 84%, para R$ 120 milhões, e projeta fluxo de caixa livre negativo de R$ 358 milhões.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Preço-alvo cai de R$ 18 para R$ 11 (-39%)
Ação recua 5,43% a R$ 9,40
Lucro ajustado de 2026 estimado em R$ 120 mi, corte de 84%
O Goldman Sachs rebaixou a recomendação da Hapvida (HAPV3) de compra para neutra e cortou o preço-alvo de R$ 18 para R$ 11. As ações caíam 5,43%, a R$ 9,40, às 10h30 desta sexta-feira (27), após o banco apontar piora na rentabilidade e no fluxo de caixa em 2026.
O corte atinge um papel que subiu 22% desde o balanço do quarto trimestre de 2025, contra 2% do Ibovespa no mesmo período. Para o Goldman, o rali não reflete a "maior incerteza" sobre alavancagem e lucros da operadora neste ano. O banco reconhece que a sinalização de melhora em indicadores operacionais no início de 2026 e a possibilidade de venda de ativos não essenciais ajudaram a aliviar a pressão sobre o papel.
Lucro de 2026 cortado em 84% e caixa livre fica negativo
O Goldman reduziu a estimativa de lucro de 2026 cortado em 84%, para R$ 120 milhões. A projeção de margem Ebitda ajustada caiu de 10,2% para 7,4%, com sinistralidade de 75,1% e contingências judiciais ainda altas. O banco passou a projetar fluxo de caixa livre negativo em R$ 358 milhões, ante previsão anterior positiva de R$ 182 milhões.
O ponto de inflexão veio com o 4T25: a margem Ebitda recorrente ficou em 7,0%, abaixo dos 9,9% esperados. Pesaram o maior volume de doenças respiratórias em um inverno mais longo, o ramp-up de 7 hospitais e 26 unidades ambulatoriais e a maior frequência de uso dos serviços. As contingências judiciais seguem pressionando, em parte pela integração da NDI em São Paulo.
Despesa financeira de R$ 1,04 bi consome 43% do Ebitda
O banco estima gasto de cerca de R$ 1,04 bilhão em despesas financeiras líquidas em 2026. O valor equivale a 43% do Ebitda. O capex, na casa de R$ 680 milhões, consome boa parte da geração operacional de caixa, e a judicialização cria descasamento entre Ebitda e caixa efetivo.
A companhia terminou 2025 com cerca de R$ 5,6 bilhões em caixa livre, já sem os recursos travados por exigência regulatória. Tem aproximadamente R$ 3 bilhões em dívidas a vencer até 2029. Para o Goldman, isso afasta o risco de rolagem de dívida no curtíssimo prazo.
Alavancagem de 2,6 vezes no critério do banco
Pela métrica de reporte da Hapvida, a alavancagem encerrou 2025 em 1,3 vez dívida líquida/Ebitda ajustado, bem abaixo do limite de 3 vezes dos covenants. A conta não inclui leasing na dívida líquida e devolve ao Ebitda as despesas com inadimplência.
Na metodologia mais conservadora do Goldman, a alavancagem de 2,6 vezes no critério do banco sobe para 3,5 vezes quando são excluídos R$ 2,6 bilhões de caixa regulatório. Para 2026, o banco projeta 1,9 vez pela regra dos covenants. Na conta conservadora, chega a 3,4 vezes, podendo ir a 4,5 vezes em um cenário extremo de exclusão total do caixa regulatório.