Hapvida tomba 42% após balanço e sinistralidade chega a 75,2%
Ebitda ajustado de R$ 746 milhões ficou 25% abaixo do projetado por Itaú BBA e BTG Pactual no terceiro trimestre.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Sinistralidade atingiu 75,2% no 3T25, alta de 1,4 p.p. ante o ano anterior.
Ebitda ajustado somou R$ 746 milhões, queda de 2,4% e cerca de 25% abaixo do projetado por Itaú BBA e BTG Pactual.
Provisões para o SUS quase dobraram, para cerca de R$ 120 milhões; consumo de caixa foi de R$ 25 milhões.
As ações da Hapvida (HAPV3) caíram 42% em um único pregão depois da divulgação do balanço do terceiro trimestre. A sinistralidade de 75,2% superou em 1,4 ponto percentual a do mesmo período do ano anterior.
A sinistralidade mede quanto da receita volta ao beneficiário na forma de atendimento, e cada ponto a mais encarece o custo. Em março de 2023, a empresa perdeu mais de 30% em um dia após um balanço fraco, com queixas parecidas de gestores.
Ebitda de R$ 746 milhões frustra projeções
O Ebitda de R$ 746 milhões no trimestre ficou 2,4% abaixo do ano anterior. O número veio cerca de 25% menor do que o projetado por Itaú BBA e BTG Pactual e 30% aquém do estimado pelo JP Morgan.
A operação consumiu R$ 25 milhões em caixa, pressionada pela sinistralidade e por provisões maiores com a rede credenciada e o SUS.
O CEO Jorge Pinheiro atribuiu parte do avanço a viroses e a temperaturas baixas por mais tempo. Ele admitiu que outra parte veio para ficar, com a melhora do atendimento nos hospitais, a redução do tempo de pronto socorro e a eliminação da fila de cirurgias.
Família Pinheiro segura o papel no pregão
Gestores ouvidos pelo Seu Dinheiro apontam um componente técnico na queda. Fundos com posições relevantes venderam para cortar risco: o fundo de ações da Squadra perdeu quase 5% no dia e um da Atmos, quase 2%.
“No final das contas, o único comprador do dia ali foi a família Pinheiro”, afirmou um gestor. O plano de recompra foi 100% executado no pregão, e sem ele a queda teria sido maior.
Fusão com a Intermédica trava o Sudeste
A Hapvida cresceu no Nordeste com planos baratos e rede verticalizada. A fusão com a NotreDame Intermédica, anunciada em 2021, levou o modelo ao Sudeste, onde a concorrência é maior e o custo hospitalar, mais alto.
Para Gabriel Mollo, analista do Daycoval, a companhia não encontrou um modelo rentável no Sudeste e ainda não cumpriu as sinergias prometidas na fusão.
O Itaú BBA afirmou em relatório que o desempenho fraco pode exigir reaceleração do ticket médio para a empresa atingir as metas de rentabilidade.