Em resumo
- Galípolo: cenário atual demanda juros em patamar restritivo por período mais longo
- BC vê mercado de trabalho resiliente e expectativas de inflação como fonte de preocupação
- Presidente do BC citou debate sobre impacto de medidas fiscais futuras nas projeções para 2028
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta sexta-feira (24) que o cenário atual ainda exige juros em patamar restritivo por um período prolongado. Ele afirmou na Expert XP 2026 que o Copom vai continuar coletando dados antes de mudar a avaliação sobre a política monetária.
A sinalização interessa a quem carrega ação, título público ou crédito na carteira. Galípolo rebateu a ideia de que a Selic alta beneficia todo o mercado financeiro: a taxa e encarece a captação das próprias instituições financeiras, segundo o Times Brasil.
funciona como desconto na precificação dos ativos
Expectativas de inflação preocupam o BC
O presidente do BC citou a resiliência da economia e do mercado de trabalho e disse que as expectativas de inflação continuam sendo fonte de preocupação. "Isso é uma preocupação adicional que nos recomenda permanecer com uma taxa de juros num patamar restritivo por um período mais longo", afirmou, conforme o InfoMoney.
Segundo ele, a autoridade monetária tem adotado a estratégia de tomar tempo para separar movimentos temporários de tendências permanentes. "Vamos continuar coletando dados com convicção de que o cenário atual demanda juros em patamar restritivo", disse.
BC estuda pausa e retomada no ciclo de juros
Galípolo afirmou que o Copom trabalha com diferentes planos de voo para levar a inflação à meta de 3%, com o menor impacto possível sobre a economia. Esses planos incluem pausa e retomada no ciclo de juros, de acordo com o Times Brasil.
Caio Megale, economista-chefe da XP, disse no painel que o BC tenta medir como a manutenção dos juros altos mexe com as expectativas. Para ele, "essa pausa para observar pode ser algo a se considerar para o segundo semestre".
O presidente do BC afirmou ainda que as expectativas coletadas pela pesquisa Firmus, que ouve empresas não financeiras, têm ficado iguais ou superiores às da Focus na maior parte das medições.
Endividamento das famílias é desafio estrutural
Galípolo classificou o avanço do endividamento das famílias no rotativo e no cartão de crédito como um desafio estrutural da economia brasileira. Disse que a modernização desse mercado deve ocorrer de forma gradual, para preservar a estabilidade financeira.
Sobre o exterior, ele afirmou que a fraqueza do dólar (USDBRL) tem sido um fator benigno para economias emergentes e que o Brasil está em posição favorável no mercado de energia por ser exportador líquido de petróleo.
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