RPPS perdem R$ 1,87 bi com letras do Master e ficam sem cobertura do FGC
Rioprevidência concentra R$ 970 milhões aplicados; fundo diz negociar troca dos papéis por precatórios federais e garante folha de servidores.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 5 veículos. Como fazemos
Em resumo
RioPrevidência teria R$ 2,6 bi em exposição ao Master, informação negada pelo fundo
Amprev tinha R$ 426,1 mi em ativos do Master, ou 4,71% da carteira
São Roque aplicou R$ 107,4 mi, equivalentes a 18,7% do fundo e 90% do crédito privado
O Banco Central liquidou o Banco Master nesta terça-feira, 18, e deixou 18 fundos de previdência estaduais e municipais expostos a perdas. Esses fundos aplicaram R$ 1,876 bilhão em letras sem FGC. Os aportes ocorreram entre outubro de 2023 e dezembro de 2024.
Para quem tem dinheiro em CDB do Master, o FGC devolve até o teto do seguro. Os RPPS ficam sem essa rede. A liquidação atinge o caixa que paga aposentadorias e pensões de servidores, e a recuperação depende de um processo que costuma andar devagar.
Rioprevidência concentra mais da metade
O Rioprevidência, fundo dos servidores do Rio, aplicou R$ 970 milhões em letras do Master, segundo lista do Ministério da Previdência. O TCE-RJ aponta exposição de R$ 2,6 bilhões, valor que a RioPrevidência nega, conforme o NeoFeed. O fundo diz negociar a troca dos papéis por precatórios federais e afirma que o pagamento da folha está garantido.
Outros fundos com aportes relevantes:
Amapá (Amprev): R$ 400 milhões
Maceió: R$ 97 milhões
São Roque (SP): R$ 93,15 milhões
Cajamar (SP): R$ 87 milhões
Itaguaí (RJ): R$ 59,6 milhões
Em relatórios de agosto, a Amprev declarava R$ 426,1 milhões em ativos do Master, 4,71% da carteira. São Roque tinha 18,7% do fundo no banco no fim de setembro.
BC aponta crise de liquidez e PF prende Vorcaro
O BC justificou a liquidação pela crise de liquidez do conglomerado e por graves violações às normas do sistema financeiro, segundo o Suno Notícias. A operação da PF prendeu o presidente Daniel Vorcaro e estima que as fraudes movimentaram cerca de R$ 12 bilhões.
Empresas também aparecem na lista. A Oncoclínicas (ONCO3) reduziu a exposição de mais de R$ 1 bilhão para R$ 433 milhões. O Banco da Amazônia (BAZA3) comprou R$ 40 milhões em letras.
FGC ressarce 1,6 milhão, fundos ficam de fora
O FGC calcula 1,6 milhão de credores com R$ 41 bilhões elegíveis a ressarcimento. O rombo estimado de R$ 62 bilhões consumiria cerca de 40% do FGC. O patrimônio do fundo hoje é de R$ 159 bilhões.
A PF avalia se incorpora as apurações ao inquérito aberto no início de 2024 ou abre novas frentes específicas.