Impulso fiscal atinge 4,52% do PIB e deve segurar corte da Selic
FGV aponta que despesas financeiras somam 3,29% do PIB e que o resultado primário em 12 meses virou déficit de 1,05% do PIB.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 2 veículos. Como fazemos
Em resumo
MEFA: 4,52% do PIB no 2º tri de 2026, ante 2,19% no 1º tri
Despesas financeiras somaram 3,29% do PIB no período
Resultado primário em 12 meses passou de superávit de 0,77% para déficit de 1,05% do PIB entre junho de 2022 e junho de 2026
O impulso fiscal do governo mais que dobrou no segundo trimestre, para 4,52% do PIB, ante 2,19% nos três primeiros meses do ano. O dado é do Monitor de Expansão Fiscal Ampliada (MEFA), da Fundação Getulio Vargas, divulgado nesta segunda-feira (27).
O indicador mede o dinheiro injetado na economia por canais que não aparecem integralmente no resultado primário. Para quem carrega título público ou ação doméstica, o efeito é direto: a FGV afirma que o impulso fiscal de 4,52% do PIB torna a queda da inflação mais lenta, reduz o espaço para cortes na Selic e pressiona a dívida pública e o prêmio de risco dos ativos brasileiros.
Despesas financeiras respondem por 3,29% do PIB
As despesas financeiras representaram 3,29% do PIB no período. O restante do impulso, 1,22% do PIB acumulado em 12 meses, vem do volume de Restos a Pagar. O Times Brasil calcula a injeção de R$ 50 bilhões na economia, o equivalente a esse mesmo 4,52% do PIB.
Expectativa de inflação piora e juros devem seguir altos
O economista Ricardo Hamud, professor da FGV, disse ao programa Pré Market, do Times Brasil, que o estímulo fiscal é o principal motivo da piora das projeções de inflação neste ano. "Sem dúvida esse estímulo fiscal é a principal causa dessa deterioração das expectativas para esse ano", afirmou. Sem uma política fiscal mais restritiva, avaliou, os juros vão continuar altos.
Hamud afirmou que o país ainda não está em dominância fiscal completa, mas que o quadro das contas públicas reduz a eficiência da política monetária. Ele também citou três anos de crescimento acima do potencial, puxados pelo próprio impulso fiscal.
Primário vira déficit de 1,05% do PIB
Na comparação entre junho de 2022 e junho de 2026, o resultado primário acumulado em 12 meses passou de superávit de 0,77% do PIB para déficit de 1,05% do PIB. No mesmo intervalo, o MEFA saltou de 1,43% para 6,70% do PIB, alta de 5,27 pontos percentuais. Mais de quatro quintos do impulso atual vem de operações fora do primário convencional.
O economista da FGV Alexandre Manoel destacou que as despesas financeiras cresceram em maio e junho e levaram o índice ao maior nível da série recente. Hamud também apontou medidas que podem ampliar a pressão adiante: subsídios a tarifas e combustíveis, financiamentos do BNDES e a medida provisória de renegociação de dívidas do agronegócio.