O USTR propôs tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros por falhas na proibição de importação de bens feitos com trabalho forçado. Segundo O Antagonista, a decisão se respalda na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e atinge 60 países, entre eles o Brasil.
A medida se soma a outra proposta de 25% e pode levar a carga tarifária de até 37,5% sobre parte da pauta exportadora. Segundo análise da Buysidebrazil divulgada pela InfoMoney, a alíquota de 12,5% terá abrangência maior que a de 25%, mas carne bovina, café, frutas e legumes selecionados, farmacêuticos, químicos orgânicos e peças de aeronaves ficam isentos. O MDIC calcula que a taxa de 25% deve atingir 21% da pauta exportadora.
Tarifas se somam e chegam a 37,5%
O USTR já havia proposto 25% sobre importações brasileiras após concluir que atos do governo brasileiro oneram o comércio americano. A Amcham Brasil alerta que o país pode se tornar um dos mais tarifados para exportar aos EUA. Para a 4Intelligence, a alíquota de 12,5% deve substituir a taxa de 10% imposta em fevereiro, que vale até julho.
Governo cita Lei da Reciprocidade
O Palácio do Planalto classificou como absurda a associação do desempenho da economia brasileira a insumos produzidos com violação de direitos humanos. Em nota, o governo afirmou que usará a Lei da Reciprocidade Econômica para responder a injustiças contra o Estado brasileiro. A nota sustenta que a OIT reconhece o Brasil como referência no combate ao trabalho forçado.
Prêmio de risco sobe e pressiona ativos
Segundo o Times Brasil, as tarifas ampliaram a cautela dos investidores e pressionaram os ativos domésticos na quarta-feira (3). Para Benny Fard, da B8 Partners, o Brasil passa a enfrentar duas frentes jurídicas acumuláveis, o que eleva o prêmio de risco país. O analista Sidney Lima, da Ouro Preto, vê efeito mais psicológico do que econômico neste primeiro momento.
O USTR recebe comentários por escrito até 6 de julho e fará audiências públicas no dia 7. O prazo para saída negociada vai até 15 de julho.