Em resumo
- 17 de 44 estatais dependem de recursos públicos; aportes somaram quase R$ 27 bi em 2024
- Correios: prejuízo acima de R$ 6 bi até setembro e empréstimo de R$ 20 bi barrado pelo Tesouro
- Déficit estimado das estatais em 2025 subiu para mais de R$ 9 bi; R$ 10 bi foram retirados da meta de 2026
17 das 44 estatais dependem de recursos públicos para operar, aponta o Relatório Agregado das Empresas Estatais Federais. Em 2024, os aportes somaram quase R$ 27 bilhões.
O volume equivale ao orçamento de 2025 de sete ministérios, entre eles Cidades, Meio Ambiente e Povos Indígenas.
A conta pressiona a meta fiscal. O governo elevou para mais de R$ 9 bilhões a estimativa de rombo das estatais em 2025; o limite previsto era de pouco mais de R$ 6 bilhões. Para cumprir a meta, remanejou R$ 3 bilhões do orçamento deste ano.
Correios acumulam prejuízo de R$ 6 bi e pedem R$ 20 bi
Os Correios acumularam prejuízo acima de R$ 6 bilhões até setembro. O conselho administrativo da estatal aprovou um empréstimo de R$ 20 bilhões barrado pelo Tesouro.
Com aval do Tesouro, a dívida pode virar pública se a estatal não honrar o compromisso, aponta Murilo Viana, da GO Associados. O governo criou um mecanismo para apoiar estatais não dependentes que apresentem plano de reestruturação, caminho que se aplica aos Correios.
Eletronuclear pede R$ 1,4 bi e Angra 3 custa R$ 1 bi por ano
A Eletronuclear solicitou aporte emergencial de R$ 1,4 bilhão para fechar as contas de 2025. A indefinição sobre Angra 3 gera impacto anual estimado em R$ 1 bilhão, segundo o BNDES.
Concluir a usina exigiria cerca de R$ 24 bilhões; manter as obras paradas pode custar até R$ 26 bilhões.
O Relatório de Riscos Fiscais do Tesouro também cita problemas na Casa da Moeda e déficit da Infraero de R$ 229 milhões após a privatização de aeroportos. Cinco Companhias Docas enfrentam dificuldades: Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Pará.
O Tribunal de Contas da União montou uma força-tarefa para analisar as contas das estatais mais pressionadas.
Governo tira R$ 10 bi da meta de 2026 para socorrer estatais
Para 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipou a retirada de R$ 10 bilhões da meta para viabilizar o auxílio aos Correios. O apoio depende da aprovação do plano de reestruturação.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, classificou o quadro como grave e estrutural, segundo o Times Brasil.
O economista Felipe Salto, da Warren Investimentos, afirma que o efeito fiscal é imediato. “Isso pressiona juros, reduz perspectivas de crescimento e limita geração de renda e empregos”, diz.
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