Ala desenvolvimentista questiona meta de 3% na equipe econômica de Lula 4
Durigan confirmou que a Fazenda estuda ampliar a parcela do Orçamento que pode ser bloqueada para cumprir as metas fiscais.
Redação brapi · Escrito com IA a partir de 1 veículo. Como fazemos
Em resumo
Fazenda estuda ampliar a parcela do Orçamento passível de bloqueio, proposta que depende do Congresso
Corrente desenvolvimentista critica juros elevados e a meta de inflação de 3%
Definição do ministro da Fazenda e da nova equipe econômica ainda não foi anunciada
A equipe econômica do quarto mandato de Lula opõe dois grupos do governo sobre o ritmo do ajuste fiscal e o nível dos juros. O presidente ainda não escolheu qual corrente terá prioridade, segundo o Times Brasil.
A decisão pesa nas expectativas de inflação, juros e dívida pública, justamente o que orienta a precificação de títulos e ações. A montagem da equipe ocorre após a reeleição, em um momento de instabilidade no mercado financeiro e de cobrança por medidas que contenham o avanço da dívida.
Durigan defende continuar o ajuste das contas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o do Planejamento, Bruno Moretti, querem manter o ajuste, com mudanças nas regras fiscais que ampliem o controle sobre as despesas. Economistas e ex-integrantes de governos petistas, entre eles o ex-ministro Guido Mantega, pedem mais participação do Estado e contestam a prioridade dada ao corte de gastos e aos juros altos.
Lula recebeu os dois ministros no Palácio do Planalto na segunda-feira (26), primeiro dia após o segundo turno. Novas conversas devem ocorrer antes do anúncio da equipe.
Uma das divergências é a leitura do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. A ala desenvolvimentista credita parte da crise ao ajuste conduzido por Joaquim Levy, avaliação contestada por economistas que apontam a deterioração das contas públicas como um dos fatores.
Fazenda quer ampliar bloqueio no Orçamento
Na terça-feira (27), Durigan confirmou que o governo estuda ampliar a parcela bloqueada do Orçamento para evitar o descumprimento das metas fiscais. A mudança depende de aprovação do Congresso.
Hoje parte dos gastos está protegida desses bloqueios, o que limita o ajuste durante a execução do Orçamento. As despesas obrigatórias crescem e reduzem a margem para investimentos, e não há pacote fiscal fechado.
Banco Central e o comando da Fazenda em aberto
A disputa alcança a política monetária e as indicações para a diretoria do Banco Central. André Roncaglia, representante do Brasil no FMI, questiona a meta de inflação de 3% e seus efeitos sobre os juros, e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, é criticado pela ala desenvolvimentista. Não há confirmação de mudanças na presidência ou na orientação da instituição.
Para a Fazenda, os nomes cogitados incluem o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, o vice-presidente Geraldo Alckmin e a permanência de Durigan. A Fazenda segue sem nome definido, e Lula ainda não anunciou os integrantes da nova equipe.